Amorim diz que solução para Doha ainda é possível

terça-feira, 2 de setembro de 2008 20:08 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que uma solução para a Rodada de Doha de negociações comerciais globais ainda é possível este mês.

Segundo ele, entretanto, para que haja um final feliz será necessário um grande esforço conjunto na Organização Mundial de Comércio (OMC).

"Acho que não é impossível, em um esforço muito grande, que possamos chegar a uma conclusão", disse ele a jornalistas em um evento do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro.

Seriam necessárias duas ou três semanas "para saber se há uma possibilidade" de retomarmos as negociações e outro tempo similar para "concluir a modalidade, os elementos mais importantes do acordo", acrescentou.

Essa urgência ocorre devido as eleições de novembro nos Estados Unidos e "outros processos" que dificultarão as atenções necessárias para a concretização dos acordos, disse o ministro.

Se não conseguirmos chegar a um acordo em quatro a seis semanas "acredito que vamos precisar de no mínimo dois anos, talvez três" para o recomeço das conversações, acrescentou.

O ministro lembrou ainda que, se o acordo não for fechado em breve, haverá uma "tentação" muito grande por parte do novo presidente dos Estados Unidos de incluir novos temas no debate internacional. A Casa Branca terá um novo ocupante em 2009.

Ele reiterou que o grande impasse nas negociações para o sucesso da Rodada de Doha é a concessão de subsídios agrícolas por parte dos países ricos.

"A única solução possível para os subsídios agrícolas é a OMC, é a Rodada Doha, não há substituto para isso", afirmou ele. "Houve dificuldade em um tema que não era visto entre os centrais, que eram as salvaguardas agrícolas."   Continuação...