Lula critica subsídios ao falar sobre crise dos alimentos

segunda-feira, 2 de junho de 2008 07:32 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os subsídios dados a agricultores de países desenvolvidos ao comentar a alta nos preços dos alimentos durante seu programa de rádio semanal nesta segunda-feira.

Falando de Roma, onde participará da reunião da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o presidente adiantou que, durante seu discurso no evento, falará de programas sociais de seu governo, como o Fome Zero e o Bolsa Família, e procurará lembrar aos demais líderes mundiais que tem batido na tecla do combate à fome desde 2003, quando assumiu o governo.

"Eu penso que chegou a hora de tomarmos atitudes. Uma das atitudes seria concluir o acordo da OMC (Organização Mundial do Comércio) na Rodada de Doha, que os países ricos abram mão dos subsídios agrícolas que dão aos seus agricultores, que os Estados Unidos diminuam os subsídios", defendeu Lula no programa semanal "Café com o Presidente".

"E aí sim os países pobres vão se sentir motivados a produzir mais alimentos para comer e para vender", acrescentou.

O presidente também comemorou a decisão da agência de classificação de risco Fitch Ratings de dar ao país, na semana passada, o grau de investimento. Foi a segunda agência desse tipo que deu esse status ao Brasil. Antes, a nota havia sido dada pela Standard & Poor's.

"O fato do Brasil ser reconhecido por uma segunda agência como grau de investimento demonstra que nós estamos acertando na política monetária que estamos fazendo. Demonstra que nós estamos acertando na política fiscal, demonstra que nós estamos acertando na política de investimento, e tudo isso é resultado de uma coisa bem planejada, pensando no futuro", comentou.

Lula se disse "muito feliz" com a decisão da agência e fez questão de lembrar ainda da nova descoberta de petróleo pela Petrobras, de óleo leve no bloco BM-S-40, na Bacia de Santos.

Para o presidente, isso é mais uma " demonstração de que as coisas estão dando certo para o Brasil".

(Texto de Eduardo Simões; Edição de Cláudia Pires)