May 2, 2008 / 11:22 AM / in 9 years

RPT-ANÁLISE-Grau de investimento pode melhorar perfil da dívida

5 Min, DE LEITURA

Por Elzio Barreto

SÃO PAULO, 2 de maio (Reuters) - A procura por títulos públicos brasileiros deve crescer nas próximas semanas, ajudando o governo a reduzir seus custos com empréstimos, após a elevação do país ao grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard and Poor's, na quarta-feira.

Analistas ouvidos pela Reuters acham que o fluxo de investimentos vai crescer, valorizando ainda mais o real e ajudando a manter a inflação sob controle.

Títulos públicos, ações e o real se valorizaram na quarta-feira depois do anúncio de que o Brasil finalmente atingiu pela primeira vez o grau de investimento, que na América Latina a Standard and Poor's já havia concedido a México, Chile e Peru.

O estatuto de vários fundos só autoriza investimentos em países que não sejam considerados de risco, e por isso a elevação da nota brasileira para "BBB-" deve valorizar ainda mais os títulos públicos.

"No geral, não é uma bolha", disse à Reuters Mohammed El Erian, presidente adjunto da Pacific Investment Management Co (Pimco), que administra uma carteira de 750 bilhões de dólares. "É reflexo de uma mudança secular. A jornada, porém, será acidentada, devido ao ambiente global fluido."

O Pimco apostou 1 bilhão de dólares em títulos brasileiros em 2002, e na época El Erian era uma das raras vozes do mercado financeiro otimistas com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente.

"Quando o Pimco sugeriu que isso (grau de investimento) poderia acontecer nos próximos anos, as pessoas achavam que estávamos loucos, especialmente porque o Brasil acabava de passar por grandes deslocamentos financeiros", disse El Erian.

Longo Prazo

O grau de investimento também pode estimular o governo a emitir títulos de longo prazo para o mercado doméstico, a fim de melhorar o perfil da dívida interna, segundo analistas.

Em um relatório na quinta-feira, o Credit Suisse disse que a procura dos investidores estrangeiros por papéis em real permitirá que o governo prolongue a duração média da dívida.

Nesse cenário, o governo poderá substituir os títulos pós-fixados (LFTs) por papéis vinculados à variação da inflação (NTN-B) ou pré-fixados (NTNF), segundo Daniel Tenengauzer, diretor de estratégia cambial global do Merrill Lynch, em Nova York.

"Os papéis flutuantes não são mau negócio para ter em termos de carteira de risco, mas uma coisa a respeito do Brasil é que a participação dos LFTs é grande demais", afirmou Tenengauzer à Reuters. "É uma ótima oportunidade, mas se o Tesouro vai aproveitá-la para fazer algo é outra questão."

Também na quinta-feira, o banco UBS divulgou relatório em que avalia que a promoção do Brasil ao grau de investimento poderá ajudar no controle das contas externas e da inflação.

O banco prevê que a entrada de investimentos externos vai valorizar ainda mais o real, o que barateia as importações e desestimula a inflação. Como há entrada de dinheiro, esse movimento compensa a perda de exportações (por causa do real valorizado) e atenua a preocupação com os recentes déficits em conta corrente do país.

A demanda por títulos da dívida em dólar também pode aumentar com a concessão do grau de investimento, disse Sam Finkelstein, diretor-gerente da Goldman Sachs Asset Management, que controla uma carteira de 6 bilhões de dólares em investimentos nos países emergentes.

O Brasil, porém, não será imediatamente incluído no importante Índice Agregado de Títulos Lehman, porque para isso duas agências importantes teriam de ter promovido o Brasil. Por isso, pode-se esperar investimentos limitados por parte dos administradores de fundos que acompanham com atenção o índice Lehman.

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