2007 foi um dos piores anos para funcionários e soldados da ONU

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 21:54 BRST
 

NAÇÕES UNIDAS, 2 de janeiro (Reuters) - O ano passado foi um dos mais mortíferos para os funcionários da Organização das Nações Unidas, tendo registrado a morte de 42 empregados do quadro civil e membros das forças de paz em atos de violência, informou nesta quarta-feira o sindicato dos funcionários da organização.

O pior incidente ocorreu em 11 de dezembro: 17 funcionários, dos quais 14 eram argelinos, estavam entre as 37 pessoas mortas em dois ataques com carro-bomba em Argel. Um deles aparentemente tinha como alvo os escritórios da ONU. A célula da Al Qaeda no norte da África assumiu a responsabilidade pelo atentado.

No dia 24 de junho um ataque com bomba perto da cidade de Khiyam, no sul do Líbano, não reivindicado por nenhum grupo, matou seis soldados das forças de paz (três espanhóis e três colombianos) que realizavam uma patrulha para a Força Interina de paz da ONU no Líbano (Unifil)

Um comunicado do sindicato dos funcionários da ONU informou que em todo o ano de 2007 pelo menos 33 civis e 9 soldados da força de paz foram mortos. Além dos ataques na Argélia e no Líbano, houve incidentes no Afeganistão, Chade, Sudão, Uganda e Faixa de Gaza.

Guy Candusso, secretário do comitê dos funcionários da ONU, disse que a única cifra pior em anos recentes foi em 1994, quando 64 membros do quadro da organização morreram violentamente. Eram principalmente ruandeses apanhados no genocídio de tutsis e hutus moderados, desencadeado por hutus extremistas.

Candusso disse acreditar que a cifra na Argélia foi a mais alta num único incidente envolvendo pessoal da ONU. O atentado contra os escritórios da ONU em Bagdá, em 2003, matou 22 pessoas, mas 7 delas eram visitantes.

O presidente do sindicato, Stephen Kisambira, fez um chamado aos países membros da ONU para que punam os culpados de matança de empregados da ONU.

"Os responsáveis por tais atos abomináveis devem ser procurados e levados à Justiça pelos Estados membros, que são responsáveis pela segurança nacional", disse ele. "Muito raramente os criminosos são processados, o que perpetua o clima de impunidade."

O sindicato se opõe aos planos da ONU de aumentar seu quadro no Iraque, argumentando que as condições no país são inseguras.

(Reportagem de Patrick Worsnip)