2 de Maio de 2008 / às 22:33 / 9 anos atrás

Marido de Betancourt diz em SP que Lula deveria se empenhar mais

Por Todd Benson

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, é imprescindível nas negociações com a guerrilha colombiana Farc para a libertação de Ingrid Betancourt e outros reféns, mas o governo brasileiro também poderia se empenhar mais, disse na sexta-feira o marido dela.

"O governo colombiano, acho que por orgulho, não quer que Chávez participe", disse Juan Carlos Lecompte à Reuters em São Paulo, onde participa de uma conferência ambiental.

"Para nós, parentes dos reféns, (Chávez) é a principal esperança que temos. Imploramos a ele que continue trabalhando pela libertação, e é isso que ele está fazendo."

Chávez, que não esconde sua simpatia pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, já conseguiu mediar a libertação de seis reféns neste ano, mas Bogotá rejeita lhe dar um papel mais formal nas negociações.

Lecompte esperava pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira para intervir no caso. Mas Lula, que evita interferir no conflito colombiano, não compareceu ao evento.

"O Brasil infelizmente não tem feito muito. Eu queria dizer ao presidente Lula que esta é uma boa hora para se envolver. Seria importante se Lula transmitisse uma mensagem às guerrilhas colombianas e ao governo colombiano, pedindo que retomem as negociações", afirmou.

Betancourt, cidadã franco-colombiana, foi sequestrada em 2002, quando fazia campanha à Presidência da Colômbia. Relatos vindos do cativeiro na selva dão conta de que ela está com a saúde precária e vive acorrentada por já ter tentado fugir.

Chávez e o presidente equatoriano, Rafael Correa, ambos esquerdistas e adversários do colombiano Alvaro Uribe, dizem que neste ano quase conseguiram a libertação de Betancourt e mais 11 reféns.

Isso não ocorreu, segundo eles, por causa da ação militar colombiana em 1o de março contra um acampamento das Farc em território equatoriano, que levou à morte do dirigente rebelde Raúl Reyes e provocou uma crise diplomática na região.

"Se não tivessem matado Reyes, talvez Ingrid estivesse aqui conosco hoje", disse Lecompte.

A França dedica um especial empenho à libertação de sua cidadã. Nesta semana, o chanceler Bernard Kouchner visitou Colômbia, Equador e Venezuela para tentar estimular a retomada das negociações com as Farc e reduzir a tensão entre os governos vizinhos.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, escreveu uma carta para Chávez em 27 de abril, pedindo que ele encontrasse uma forma de retomar as conversas.

"Use sua influência, que é grande, para encontrar uma forma para uma nova iniciativa, para que possamos fazer propostas à comunidade internacional", disse Sarkozy, em trecho da carta divulgada na quinta-feira pela Venezuela.

Embora a postura agressiva do governo da Colômbia contra a guerrilha garanta uma grande popularidade ao presidente Uribe, parentes dos reféns são contra qualquer tentativa de libertá-los à força.

"Sei que, numa tentativa de resgate, ninguém sai vivo", disse Luis Eladio Pérez, um dos seis reféns soltos neste ano, durante o mesmo evento em São Paulo.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below