Serra ataca gestão econômica do governo mas nega ser candidato

quarta-feira, 3 de setembro de 2008 13:32 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Embora insista que não é candidato à presidência em 2010, o governador de São Paulo, José Serra, fez duros ataques às políticas econômica, fiscal e comercial do atual governo, em evento nesta quarta-feira, no BNDES.

Enfocando o seu discurso na questão econômica, Serra afirmou que a taxa de investimento do país é reduzida e que há problemas na gestão macroeconômica.

"Os juros são siderais, o câmbio está megavalorizado e os gastos governamentais estão crescendo vertiginosamente por conta dos gastos correntes", disse o governador de São Paulo, que manifestou preocupação com as contas do futuro presidente.

"Os gastos governamentais de 2002 a 2012 projetados crescerão 130 por cento em termos reais por conta das despesas correntes. É um aumento do gasto futuro. Não tem uma Lei de Responsabilidade Fiscal para o governo federal", enfatizou Serra em discurso no fórum "Como ser o melhor do Brics", promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos.

Serra frisou que o dólar desvalorizado está estimulando o consumo interno e ampliando o déficit em conta corrente. Para ele, o Brasil não aproveitou como poderia o crescimento da economia mundial.

"Nunca houve um período tão prolongado de bonança no cenário internacional. A economia (brasileira) pode ter aumentado sua taxa de crescimento a partir de 2002, embora menor que a América Latina e o mundo."

Serra atacou ainda a política comercial brasileira, que classificou de equivocada pela obrigação de o país negociar junto com o Mercosul em detrimento de acordos bilaterais.

"O Mercosul precisa mudar, está fadado ao fracasso...Em cada negociação bilateral temos que carregar os parceiros, o Brasil perde flexibilidade. Se a Venezuela entrar, pelo amor de Deus... Imagina a China tendo que carregar Camboja e Laos nas negociações", afirmou Serra ao criticar também a pauta de exportações brasileiras baseada em produtos primários.

Segundo Serra, o país vive um ciclo de "semi-estagnação" desde 1980, já que a renda do trabalhador teria crescido 1 por cento ao ano, em média.   Continuação...