Preço-teto da energia de Jirau será menor que Santo Antônio-EPE

quinta-feira, 3 de abril de 2008 13:52 BRT
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O governo confirmou nesta quinta-feira a expectativa do mercado de que o preço-teto para a energia da nova usina de Jirau, que será vendida em leilão em maio, ficará abaixo do máximo de R$122 que havia sido estabelecido para a hidrelétrica de Santo Antônio, ambas do complexo do rio Madeira (RO).

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, justificou que estudos mostraram a viabilidade do negócio com investimento inferior ao estimado originalmente pelo consórcio Odebrecht-Furnas, que fez o estudo do projeto.

O governo também considera benefícios fiscais pela localização de Jirau na Amazônia e pelo fato de o empreendimento integrar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

"A EPE fez um trabalho de otimização que permitiu abaixar em 3,9 bilhões de reais o valor inicial proposto", afirmou Tolmasquim, referindo-se ao investimento estimado originalmente de 12,6 bilhões de reais. Pelo novo estudo, a usina de Jirau, com capacidade instalada de 3.300 MW, precisará de investimentos de 8,7 bilhões de reais.

O presidente da EPE recusou-se a informar o preço-teto do MW proposto para o leilão, já que ainda depende de aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU). Ele acredita que as condições da venda da concessão para a nova hidrelétrica estejam aprovadas em duas semanas.

Ainda assim, o governo tende a adiar o leilão de Jirau de 9 para 12 de maio, de uma sexta-feira para uma segunda-feira. "Não há risco de passar de maio", argumentou Tolmasquim. O consórcio que ofertar um menor preço da energia ganha o direito de construir o projeto.

Em dezembro, o consórcio formado por Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, um fundo de investimentos Banif-Santander e a distribuidora Cemig acabou levando o projeto por ter oferecido o preço de 78,90 reais o MW, na obra com capacidade de 3.150 MW.