23 de Outubro de 2007 / às 01:48 / em 10 anos

Vale e Baosteel procuram sócio para siderúrgica no ES

Por Denise Luna

VITÓRIA (Reuters) - A Companhia Vale do Rio Doce e a chinesa Baosteel querem um sócio para integrar o consórcio formado entre as duas para construir a Companhia Siderúrgica Vitória, um projeto de 5,5 bilhões de dólares que vai injetar no aquecido mercado siderúrgico 5 milhões de toneladas de placas de aço por ano a partir de 2012.

De acordo com o diretor executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um candidato a parceiro, mas a exigência da instituição de um certo percentual de equipamentos nacionais no projeto poderá limitar o investimento.

Por isso há conversas também com o banco de fomento da China.

“Ainda não está definido se vai ser o BNDES, pode ser um banco de investimento chinês ou outro parceiro. Os chineses querem ficar com até 60 por cento e a Vale quer 20 por cento”, explicou Martins, após a inauguração do escritório da joint-venture em Vitória.

Procurado pela Reuters, o BNDES negou comentar uma possível associação para a construção da usina, mas esclareceu que para a aquisição de participações acionárias o banco não possui exigência de conteúdo nacional.

Segundo a assessoria do banco, os investimentos em ações “são avaliados caso a caso e dependem do projeto, não do conteúdo nacional”, o que só é considerado nos financiamentos da instituição.

O escritório terá 60 empregados, dos quais 40 chineses. Como a maior parte do investimento virá da Baosteel, é provável que boa parte dos equipamentos na usina, que poderá ter sua capacidade ampliada para 10 milhões de toneladas de aço ao ano, venham da China.

Segundo Martins, até achar um parceiro, a Vale será responsável por 40 por cento do projeto, que é uma adaptação da usina siderúrgica projetada inicialmente para o Maranhão.

A Vale e a Baosteel negociaram a construção de uma siderúrgica no Brasil há cinco anos, mas problemas com o governo do Maranhão levaram as empresas a optarem pelo Espírito Santo. Além da siderúrgica, o projeto inclui ferrovia, porto e uma termelétrica com capacidade para 400 megawatts --200 MW para a usina e o restante a ser vendido no mercado--, que ficarão prontos junto com a usina, informou o presidente da Vale, Roger Agnelli.

“A vinda da Baosteel coloca o Brasil no cenário mundial siderúrgico e é importante também porque vamos processar o minério aqui”, afirmou Agnelli a jornalistas, lembrando que pelas mãos da Vale a segunda maior siderúrgica européia, Thyssen, está construindo uma usina no Rio de Janeiro. A ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, já opera no país.

A Vale programa ainda uma siderúrgica no Ceará, a Ceará Steel, que enfrenta problemas de fornecimento de gás, mas de acordo com o diretor de ferrosos, Martins, “vai sair de qualquer jeito, com ou sem gás, porque tanto governo federal como estadual estão muito empenhados”, afirmou.

AUMENTO DO MINÉRIO

Em meio a especulações sobre o aumento do preço do minério de ferro para o próximo ano, que pode ultrapassar os 50 por cento, segundo analistas de mercado, Agnelli evitou comentar as expectativas da empresa, mas disse ainda crer em um mercado aquecido.

“Todos estão trabalhando no limite da capacidade, mesmo que reduza o ritmo a demanda vai continuar”.

Também na inauguração, o presidente da Baosteel, Xu Lejiang, tentou reduzir a expectativa em relação ao aumento do preço do minério de ferro, afirmando que as negociações ainda não foram abertas.

“Nós não estamos negociando preço, é uma questão bastante ampla”, disse Lejiang, por meio de um intérprete.

Ele admitiu, no entanto, que o crescimento da demanda de minério de ferro pela China continuará, “mas não tanto como antes”, já que a base de comparação está elevada. Segundo o executivo, a compra de minério por aquele país cresceu quatro vezes nos últimos cinco anos para atender a crescente produção de aço do país, que este ano deve atingir o volume recorde de 500 milhões de toneladas.

“O minério brasileiro ajudou a desenvolver a nossa economia, mas em 2006 (a produção siderúrgica) já não cresceu tanto como antes”, explicou, sem fazer projeções para a produção siderúrgica em 2008.

Ele informou que a Baosteel pretende continuar crescendo e para isso fará uma série de fusões e aquisições de siderúrgicas chinesas, o que aumentará a demanda por minério de ferro pela companhia.

Com o novo projeto, que marca a estréia da empresa chinesa no Brasil, a Baosteel pretende ter economia com o custo do frete e com a otimização dos navios. Em vez de transportar grandes volumes de minério, serão transportadas placas para os mercados norte-americano e europeu, assim como existe a possibilidade também de vendas no mercado brasileiro.

“A siderúrgica brasileira tem o melhor minério e paga o menor preço”, disse ele, em relação à qualidade do minério no Brasil e ao fato de produtores locais não estarem sujeitos aos elevados preços dos fretes marítimos, como ocorre na China.

“Gostaríamos de vender nossas placas aqui também”, concluiu Lejiang.

REUTERS AC

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