Ofertas de ações caem 5% no Brasil e 39% no mundo em 2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008 17:15 BRT
 

SÃO PAULO, 3 de setembro (Reuters) - O Brasil teve uma desaceleração mais discreta do que o mundo no mercado de emissão de ações em 2008, com a instabilidade das bolsas de valores.

De janeiro a agosto, o volume de recursos captados por empresas domésticas com a oferta pública de ações somou 20,9 bilhões de dólares, o que representa uma queda de 5,3 por cento em relação ao mesmo período do ano passado (22,1 bilhões de dólares).Em nível global, a queda foi de 39 por cento na mesma base de comparação, para 257,2 bilhões de dólares.

Os números são da Thomson Reuters, que incluem IPOs (ofertas públicas iniciais) e emissões feitas por companhias já presentes no mercado (follow ons).

Quando a medição é feita em número de operações, a queda é ainda maior. No mundo inteiro, foram realizadas 1.324 emissões entre janeiro e agosto, o que significa uma retração de 49 por cento frente aos oito primeiros meses de 2007. No Brasil, houve uma derrocada de 78,3 por cento, passando de 60 para apenas 13 emissões.

"A crise norte-americana deixou o mercado de IPOs mais restrito para emissões maiores", disse à Reuters José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio do escritório de advocacia Mattos Filho, um dos mais ativos no setor.

De fato, no Brasil só as ofertas da Vale (VALE5.SA: Cotações) (12,1 bilhões de dólares) e da OGX Petróleo e Gás (OGXP3.SA: Cotações) (cerca de 4 bilhões de dólares) movimentaram aproximadamente três quartos de tudo o que foi levantando com a venda pública de ações por empresas brasileiras.

Outro dado da pesquisa foi a mudança no ranking dos maiores bancos coordenadores de emissões. No mundo, o JP Morgan assumiu a primeira posição em 2008, coordenando 77 transações que levantaram 26 bilhões de dólares. Citi, Merrill Lynch, Morgan Stanley e Goldman Sachs ficaram nas posições seguintes. UBS, líder no ano passado, caiu para a sexta posição.

No Brasil, o Itaú BBA assumiu a ponta em volume financeiro de operações, com 4,3 bilhões de dólares em 5 deals. Credit Suisse ficou em segundo, com 6 operações, mas um volume menor levantado (3,9 bilhões). O UBS Pactual, líder no ano passado, caiu para sétimo.

(Reportagem de Aluísio Alves; Edição de Alexandre Caverni)