BCE precisa de equilíbrio político, diz diretor-gerente do FMI

segunda-feira, 3 de março de 2008 10:19 BRT
 

PARIS, 3 de março (Reuters) - O euro está supervalorizado e o Banco Central Europeu precisa de um contrapeso político para compensar o fato de estar "super poderoso", afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn nesta segunda-feira.

Strauss-Kahn elogiou o BCE por conter a inflação, mas disse ao jornal francês Le Monde que os países da zona do euro precisam apontar um político supremo para assegurar o crescimento econômico.

"O problema na zona do euro é que o BCE, que faz um bom trabalho no controle de inflação, está super-poderoso", afirmou Strauss-Kahn segundo o jornal.

"Não há contrapeso político no calibre de um ministro das finanças europeu encarregado do crescimento", acrescentou.

Quando a zona do euro foi criada, os governos da União Européia criaram o Eurogroup, um fórum informal de discussões para ministros das finanças do bloco no qual o BCE é convidado a participar, designado como contrapeso político ao banco.

Mas políticos franceses têm reclamado constantemente que o Eurogroup não possui poder e que Strauss-Kahn, ex-ministro da economia da França, mostrou ter esse mesmo ponto de vista.

Os parceiros da França na zona do euro, incluindo o presidente do conselho do Eurogroup, o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, criticaram as tentativas do governo de Paris de influenciar a política do BCE, com a qual a França pede um diálogo mais próximo.

Strauss-Kahn afirmou ao Le Monde que há um problema generalizado nas taxas cambiais no mundo e acrescentou que nenhuma moeda pode resolver esta questão.

"Estamos alertando os governos para que eles corrijam esses desequilíbrios e temos visto com prazer que as autoridades chinesas estão aceitando progressivamente uma taxa de câmbio mais realista", acrescentou.   Continuação...