3 de Outubro de 2008 / às 17:45 / 9 anos atrás

ATUALIZA2-Mantega: governo pode fazer "uso criativo" de reservas

(Texto atualizado com mais comentários do ministro)

Por Daniela Machado

SÃO PAULO, 3 de outubro (Reuters) - As reservas internacionais brasileiras poderão ser usadas “de maneira criativa” para dar mais liquidez ao mercado no momento “mais agudo” da crise externa, afirmou nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Sem dar detalhes sobre a nova idéia, Mantega lembrou apenas que o Banco Central já vem fazendo leilões compromissados de dólar de modo que as reservas são recompostas em até 30 dias.

“Com isso, você mantém praticamente o mesmo nível de reservas. E há outras maneiras semelhantes que podem ser feitas de modo a manter as reservas, porém dar mais liquidez”, afirmou a jornalistas. “Usaremos outros instrumentos se for necessário. Poderemos usar de maneira criativa uma parte das reservas para irrigar o crédito.”

Ele também citou, sem detalhes, que o governo prepara “outras medidas para dar crédito na área de exportação” e ajuda à indústria naval. “Vamos anunciar um aumento de recursos para o Fundo da Marinha Mercante.”

Mantega avaliou que a crise global é grave e “não deve ser subestimada”, mas reiterou que o Brasil tem como “ultrapassar este momento traumático” e que “o estresse agudo” vai passar. De qualquer modo, acrescentou, a turbulência acabou provocando uma correção “oportuna” do câmbio no país.

“O câmbio agora está mais alinhado e mais compatível com as nossas condições”, disse em palestra na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Minha impressão é que o câmbio não voltará aos níveis em que estava no passado (recente), ficará num patamar mais realista,”

Depois de chegar a 1,557 real no início de agosto, na menor cotação desde 1999, o dólar ganhou grande impulso nas últimas semanas com o aprofundamento da crise global, que abalou as linhas externas de financiamento. No início desta tarde, a moeda era cotada acima de 2,0 reais.

“As exportações deverão melhorar a partir deste câmbio”, previu o ministro.

“VINGANÇA DOS COLONIZADOS”

Mantega adimitiu que a economia brasileira poderá ter um crescimento menor em 2009, embora o governo tenha “um arsenal grande” de medidas que podem ser tomadas para enfrentar a crise. Ele não citou números, mas criticou analistas que chegaram a falar em expansão próxima a 1 por cento.

“Deveríamos cobrar esses analistas por dar esses palpites infelizes... Esses analistas apressados estão transferindo o estado de ânimo do americano, do europeu para o Brasil.”

Antes do agravamento da crise nas últimas semanas, Mantega vinha insistindo que o país poderia crescer 4,5 por cento no ano que vem, estimativa superior a de analistas de mercado, que é de expansão de 3,55 por cento.

Apesar das condições externas adversas, Mantega prometeu à platéia de empresários redução de tributos e de juros e aumento do crédito nos próximos anos, para que os investimentos sejam estimulados.

Ele também citou a melhora dos fundamentos domésticos como trunfo do país para enfrentar o panorama internacional.

“Não devemos achar que somos invulneráveis... mas não há movimento abrupto de saída de capitais do Brasil”, afirmou.

“Devo confessar que tenho me divertido em reuniões como as do Fundo Monetário Internacional. Eu vou lá e digo o que costumavam falar para nós: ‘os senhores não fizeram a lição de casa, os senhores têm que melhorar o lado fiscal’. É a vingança dos colonizados.”

Edição de Alexandre Caverni

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