Grupo pede que China liberte presos da praça da Paz Celestial

terça-feira, 3 de junho de 2008 09:23 BRT
 

PEQUIM, 3 de junho (Reuters) - Um órgão inspetor de direitos humanos baseado em Nova York pediu à China na terça-feira que honre seu compromisso de expandir os direitos humanos antes das Olimpíadas, libertando cerca de 130 prisioneiros da época do protesto na praça da Paz Celestial.

O grupo Human Rights Watch fez o pedido na véspera do 19o aniversário da repressão realizada pelo Exército da Libertação Popular a manifetação estudantil na praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989.

A Human Rights Watch pediu à China que publique uma lista completa de mortos, feridos e presos, já que nenhuma lista deste tipo foi divulgada desde então. Em 2004, pelo menos 130 pessoas presas nos protestos continuavam na prisão, segundo o grupo.

Outro grupo de defesa dos direitos humanos, o Centro de Informações pelos Direitos Humanos e a Democracia, com base em Hong Kong, citou na segunda-feira uma fonte não identificada, que teria dito que cerca de 20 mil pessoas foram detidas durante os protestos em todo o país.

Cerca de 15 mil dos detidos foram classificados como contra-revolucionários ou acusados de outros crimes e 70 receberam sentenças de morte executadas imediatamente, disse o grupo, citando uma fonte próxima ao ex-presidente chinês Yang Shangkun.

Segundo a fonte, Yang disse que mais de 600 pessoas morreram nos protestos na praça da Paz Celestial. Yang morreu em 1998.

"O governo chinês deve mostrar aos espectadores mundiais das Olimpíadas que fala sério sobre os direitos humanos, libertando os presos na praça da Paz Celestial", disse um comunicado de Sophie Richardson, diretora para Ásia da Human Right Watch.

O governo chinês não comentou imediatamente.

A Human Rights Watch também pediu ao governo que ampare as vítimas e suspenda o veredicto que considerou os protestos estudantis uma atividade contra-revolucionária.

O grupo quer ainda que a China pare de perseguir e prender sobreviventes, famílias das vítimas e intelectuais que ousam discordar da versão oficial dos fatos ou que querem que o Estado assuma a responsabilidade pelos abusos comentidos então.

(Reportagem de Benjamin Kang Kim)