CNI vê expansão de 3,5% do PIB em 2009 após baque da crise

sexta-feira, 3 de outubro de 2008 15:43 BRT
 

BRASÍLIA, 3 de outubro (Reuters) - A Confederação Nacional da Indústria elevou sua estimativa de crescimento da economia brasileira em 2008, para 5,3 por cento, mas previu uma desaceleração da expansão para cerca de 3,5 por cento no ano seguinte, em consequência da crise financeira global.

"São dois os principais vetores de transmissão: a menor disponibilidade de crédito internacional e a redução da demanda externa pelos produtos brasileiros", afirmou a CNI em informe trimestral divulgado nesta sexta-feira.

A entidade acrescentou que a queda de valor de mercado das empresas brasileiras resultante da crise, o encarecimento dos insumos importados por conta da valorização "abrupta" do dólar e a política monetária restritiva adotada pelo Banco Central também afetarão a atividade doméstica negativamente em 2009.

Como antídoto aos efeitos da crise, a CNI reivindicou a intensificação dos leilões de venda de dólar pelo Banco Central com compromisso de compra futura, iniciados em setembro.

A entidade também defendeu a redução dos gastos públicos como medida anti-inflacionária.

Os mercados acionário e cambial brasileiros têm sofrido o baque da crise de crédito internacional e apresentaram quedas expressivas nas últimas semanas.

O Banco Central já promoveu dois ajustes nas regras de recolhimento compulsório de depósitos bancários nos últimos dez dias em um esforço para aumentar a liquidez na economia.

Em 2008, a forte demanda interna deve sustentar o aquecimento da atividade, segundo a CNI. Em seu informe anterior, preparado em junho, a entidade previa crescimento de 4,7 por cento para este ano.

(Reportagem de Isabel Versiani; Edição de Renato Andrade)