3 de Dezembro de 2007 / às 17:38 / em 10 anos

ONS muda cálculo para evitar acionar térmicas no período úmido

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 3 de dezembro (Reuters) - O Operador Nacional do Sistema (ONS) decidiu ser menos conservador e reduziu o índice do nível dos reservatórios de hidrelétricas que determina a entrada em operação das usinas térmicas.

O ONS faz o cálculo em novembro, para equilibrar o nível dos reservatórios entre o período de chuvas, que começa em janeiro, e a época mais seca, iniciada em abril.

A mudança acontece em meio a uma audiência pública na qual o índice em debate exigia que as térmicas entrassem em operação com nível dos reservatórios em 65 por cento, em janeiro. Agora, o índice para a entrada das térmicas no sistema ficou estabelecido em 53 por cento, informou o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp.

“Da maneira que estava você corria o risco de acionar as térmicas sem necessidade e verter água das hidrelétricas”, disse Chipp.

Ele afirmou que no primeiro documento encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no final de outubro, o ONS já havia ressaltado sobre o risco de desperdiçar água com a fórmula que estava sendo utilizada.

Em reunião há duas semanas com a Aneel, disse Chipp, ficou decidida a mudança de critérios para o cálculo da curva de aversão ao risco --que determina quando a energia térmica deve ser despachada--, retirando três dos quatro piores biênios em termos de chuvas que são usados como base para o cálculo.

“Usávamos a média dos quatro piores biênios, que exigiam uma meta alta em janeiro, agora usamos uma curva mais adequada, que garante o nível de segurança de abril”, disse Chipp referindo-se ao mês que marca o início do período seco.

Agora o único biênio usado no cálculo será o de 1933 e 1934, informou, o que reduziu o nível de dezembro de 61 por cento para 36 por cento; em janeiro, de 65 para 53 por cento; fevereiro, de 69 para 63 por cento; março, de 69 para 67 por cento; e abril de 69 para 68 por cento.

“Agora tem menos chance de desperdiçar a água dos reservatórios”, concluiu o executivo.

GARANTIA DE ENERGIA

Chipp disse garantir que não haverá risco para o abastecimento nos próximos dois anos, mas não arrisca previsões mais longas.

“No curto prazo, numa avaliação mais pontual, a gente garante que 2008 não tem problema e 2009 também.”

Ele informou que as regiões Sul e Sudeste estão com indicações favoráveis de chuva nos próximos meses e que as expectativas em relação ao Nordeste vêm melhorando.

“Eu só tenho preocupação em relação ao Nordeste, mas está mais favorável nos últimos 10 dias”, disse.

Chipp lembrou, no entanto, que vários projetos de geração estão previstos para os próximos anos, como a introdução pela Petrobras (PETR4.SA) do Gás Natural Liquifeito (GNL) na matriz energética, além dos projetos vendidos no leilão de empreendimentos novos para 2012 e da perspectiva de construção das usinas do rio Madeira, em Rondônia.

Além disso, afirmou o executivo, o governo está trabalhando para realizar mais um leilão de biomassa ainda este ano, onde o ONS participa viabilizando a conexão da energia gerada por pequenas produtoras no sistema. O problema, lembrou Chipp, é o preço alto do custo dessa energia.

“Vai ser um leilão específico de biomassa e pode ser este ano, estão vendo problema de tributos para poder reduzir o preço”, informou.

Edição de Roberto Samora

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