COLUNA-Selic no "freezer" traz atividade para primeiro plano

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007 07:22 BRST
 

Por Angela Bittencourt

SÃO PAULO (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) tem a última reunião de 2007 na semana que vem e o juro básico deve permanecer inalterado pela segunda vez consecutiva em 11,25 por cento ao ano.

O absoluto consenso em torno desse resultado não diminui a atenção do mercado à movimentação do Banco Central, que tende a reafirmar seu alerta ao pique da atividade como importante fator de risco para a inflação no ano que vem.

Horas antes de o Copom anunciar a taxa Selic que estará em vigor até 23 de janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar o desempenho da produção industrial em outubro, dará munição à defesa do BC a favor da condução de uma política monetária prudente.

"Todos os indicadores antecedentes mostram que a atividade está muito forte e esta é exatamente a maior preocupação do Copom. Qualquer deslize pode gerar inflação a médio prazo", comenta Cassiana Fernandez, economista da Mauá Investimentos.

Ela explica que os dados da indústria em outubro têm particular relevância porque setembro foi um mês mais fraco, com a produção mensal mostrando leve queda.

"A queda em setembro levantou a suspeita de que a indústria poderia ter atingido o pico, mas os indicadores de outubro confirmam o contrário. O comportamento da indústria em setembro foi pontual e não o início de uma trajetória de acomodação. Esperamos, inclusive, que a produção continue forte até dezembro", acrescenta Cassiana.

Ela pondera que o cancelamento de férias coletivas por empresas de diversos segmentos, novidade em anos, é mais um sinal que aponta para um fechamento de ano "muito forte".

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