3 de Março de 2008 / às 20:48 / em 10 anos

Atividade industrial esfria, mas inflação global sobe

Por Ross Finley e Emily Kaiser

LONDRES/WASHINGTON (Reuters) - O crescimento do setor manufatureiro global desacelerou em fevereiro para o menor nível em 4 anos e meio, enquanto a inflação persiste, mostraram dados divulgados nesta segunda-feira que apresentam um grande desafio aos bancos centrais.

O índice do setor manufatureiro global compilado pelo JPMorgan caiu para 51,1 em fevereiro, ante 52,3 em janeiro. A leitura de fevereiro foi a menor desde julho de 2003, mas ficou acima de 50,0 --patamar que divide crescimento de contração.

Os dados devem preocupar os principais bancos centrais do mundo, que estão cada vez mais num fogo cruzado entre as evidências de uma rápida desaceleração do crescimento e de uma gradual alta da inflação.

O Instituto de Gestão de Fornecimento nos Estados Unidos (ISM, na sigla em inglês) afirmou que o setor manufatureiro do país caiu pela segunda vez em três meses, à medida que consumidores relutam em realizar grandes compras em uma economia fraquejante.

A leitura de 48,3 ficou abaixo do nível de 50,7 medido em janeiro mas um pouco acima das expectativas dos economistas. O patamar é o menor desde abril de 2003.

“O índice do setor manufatureiro está agora em terra de ninguém, entre o crescimento fraco e a recessão, mas os problemas no restante da economia apontam que mais está por vir”, disse Ian Sheperdson, economista-chefead High Frequency Economics.

Importantes medidas de emprego entraram ainda mais em território negativo, indicando que será fraco o relatório sobre o mercado de trabalho norte-americano que sairá na sexta-feira. Ao mesmo tempo, os custos continuam elevados --com preços levemente abaxo dos níveis de janeiro, maior patamar em 18 mês.

DESAQUECIMENTO NA EUROPA

O crescimento desacelerou na zona do euro, com uma forte contração na Espanha e estagnação na Itália. Esses dados vieram após números mostrando que a atividade manufatureira na China e na Índia, duas das maiores potências emergentes do mundo, também desacelerou.

Dados mostrando que a inflação na zona do euro manteve-se em 3,2 por cento no mês passado --maior nível desde que a série começou, em 1997-- vieram junto com relatórios da NTC Economics apontando fraco crescimento do setor manufatureiro e a maior inflação no atacado em quase um ano.

“A pressão dos preços na região continua desconfortável”, disse Jonathan Loynes, economista-chefe para Europa na Capital Economics, em Londres.

“Enquanto o Banco Central Europeu pode suavizar seu discurso na quinta-feira, nós duvidamos que esteja pronto para cortar a taxa de juros nos próximos meses.”

O índice RBS/NTC final do setor manufatureiro da zona do euro ficou em 52,3, como esperado, e acima da marca de 50,0.

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