China cobra mais agressividade do empresário brasileiro

quinta-feira, 3 de julho de 2008 12:45 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O embaixador da China em Brasília, Chen Duqing, cobrou nesta quinta-feira uma maior presença de produtos brasileiros em seu país, durante lançamento de um plano para aumentar as exportações brasileiras ao gigante asiático.

"Tenho defendido mais agressividade do empresário brasileiro para ocupar o nosso mercado. O Brasil tem muito espaço a ocupar", discursou o diplomata.

Para Duqing, a parceria estratégica firmada entre o Brasil e a China não deve ser apenas política. "Ela deve ser sustentada pela economia e pelo comércio. Atritos são naturais. Quando não havia comércio, não havia disputas. Quanto mais contato, mais disputas ocorrerão."

Fruto de trabalho conjunto dos ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com a Confederação Nacional da Indústria e o Conselho Empresarial Brasil-China, a Agenda China tem como principal meta triplicar as vendas do Brasil a China ate 2010.

Entre janeiro e junho deste ano, essas exportações somaram 10,75 bilhões de dólares. Já as importações de produtos chineses no mesmo período totalizaram 12,62 bilhões de dólares. Segundo o estudo, as oportunidades a curto prazo estão nas vendas de 147 produtos de 28 setores, como petróleo e derivados, metais não-ferrosos, papel e celulose, minérios, químicos, carnes, peles e couro, instrumentos de precisão, ferramentas, complexo soja, medicamentos, cosméticos, máquinas e motores. Outros 472 produtos também podem gerar exportações brasileiras a médio e longo prazos, estima o levantamento.

A intenção do governo é incentivar os embarques de produtos com maior valor agregado. "Essa é uma ação proativa para readequar o perfil do intercâmbio bilateral", comentou o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. (Reportagem de Fernando Exman)