CNI:Estável, uso da capacidade da indústria não pressiona preço

quinta-feira, 3 de julho de 2008 13:02 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O uso da capacidade instalada da indústria, em estabilidade há nove meses em um cenário de crescimento da produção, sinaliza que os investimentos feitos pelas empresas estão em maturação e que não há descasamento entre a oferta e a demanda na economia, afirmou a Confederação da Indústria (CNI) nesta quinta-feira.

"A produção está crescendo sem gerar pressão sobre o uso da capacidade instalada", afirmou Paulo Mól, economista da CNI, a jornalistas. "Do ponto de vista da oferta da indústria, portanto, não há pressão inflacionária."

O uso da capacidade instalada da indústria oscilou para 82,8 por cento em maio, com ajuste sazonal, contra 82,9 por cento em abril.

O pico desse indicador --que aponta o espaço que as empresas têm para elevar a produção para fazer frente a uma demanda maior-- ocorreu em fevereiro, em 83 por cento.

O Banco Central já manifestou, por reiteradas vezes, preocupação com o fato de o indicador estar em níveis historicamente elevados, o que pode levar a aumentos de preços.

"Os níveis do uso da capacidade instalada estão realmente muito altos, mas temos que ver a tendência", afirmou Mól, acrescentando que o indicador deve se manter estável ou mesmo cair nos próximos meses com a expansão da capacidade de produção e esperada retração da demanda.

Em maio, as vendas industriais cresceram 1,1 por cento frente a abril após dois meses de retração, e aumentaram 5,3 por cento na comparação com maio de 2007. Em abril, o crescimento havia sido de 11,5 por cento na comparação anual. Nos primeiros cinco meses do ano, o faturamento acumula alta de 7,9 por cento.

As horas trabalhadas caíram 0,1 por cento em maio frente ao mês anterior e o emprego teve alta de 0,2 por cento no mesmo período. Na comparação anual, a elevação do emprego foi de 3,8 por cento, a menor do ano.

Para Mól, os números indicam "um momento de inflexão" para a indústria, que entra em período de ritmo de crescimento menor após um primeiro trimestre aquecido, em resposta ao aperto monetário promovido pelo BC, à inflação e a uma retração dos gastos do governo.

"Os indicadores continuam em patamar alto, mas com crescimento menos importante", afirmou Mól.

(Reportagem de Isabel Versiani; edição de Vanessa Stelzer)