3 de Setembro de 2008 / às 16:56 / em 9 anos

Metalúrgicos páram montadoras no interior de SP por reajuste

SÃO PAULO (Reuters) - Milhares de metalúrgicos no interior de São Paulo pararam a produção de pelo menos quatro montadoras de veículos nesta quarta-feira em protesto contra reajuste salarial proposto pelas empresas. Trabalhadores na região metropolitana também podem decidir por paralisação.

A greve de 24 horas iniciada nesta quarta-feira afetou as fábricas de General Motors, em São José dos Campos, e de Honda, em Sumaré; Toyota, em Indaiatuba; e Mercedes-Benz, em Campinas.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, cerca de 5 mil trabalhadores da GM decidiram pela greve na manhã desta quarta-feira. A paralisação afeta a produção de cerca de 950 a 1.000 veículos, além da produção de motores, segundo informou a entidade.

A assessoria de imprensa da GM confirmou a paralização da fábrica mas evitou comentar o impacto na produção.

Os metalúrgicos do interior de São Paulo pedem reajuste de 18,83 por cento (índice que inclui inflação mais o aumento real) além de garantia de gatilho salarial toda a vez que a inflação atingir 3 por cento.

As montadoras, que negociam representadas pelo Sinfavea, ofereceram na última negociação reajuste de 1,25 por cento real mais inflação, segundo os metalúrgicos. A assessoria de imprensa da entidade informou que não comenta detalhes das discussões com os trabalhadores.

“A proposta das montadoras é rídicula diante do crescimento que vêm tendo desde 2003, tanto em relação a vendas internas e externas e ganho de produtiviodade”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, Jair dos Santos.

“Queremos uma proteção dos salários porque a inflação tende a continuar em alta. Corremos o risco de fechar a campanha salatial em setembro e quando chegar janeiro esse aumento real terá sido corroído pela inflação”, disse o sindicalista sobre o gatilho.

Ano passado, as negociações foram encerradas sem greve com aumento de real de cerca 2,5 por cento, informou o dirigente.

As montadoras acumulam nos primeiros sete meses deste ano vendas recordes de 1,7 milhão de veículos, volume cerca de 30 por cento acima do comercializado no mesmo período de 2007.

Santos afirmou que na tarde de quinta-feira haverá nova reunião de metalúrgicos com o Sinfavea. Se não houver acordo, no domingo a categoria poderá decidir por greve por tempo indeterminado.

ABC EM AVISO DE GREVE

Enquanto no interior os trabalhadores já decidiram por greve, na região do ABC Paulista trabalhadores ameaçam parar desde o aviso emitido no domingo.

Nesta tarde, trabalhadores da Mercedez-Bens em São Bernardo do Campo, que realizam manifestação, podem optar por paralisação e na quinta-feira assembléias ocorrem em fábricas da Scania e da Ford.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC não divulgou quanto a categoria está exigindo de reajuste, mas a assessoria de imprensa da entidade informou que o 1,25 por cento proposto pelo Sinfavea está “bem longe” do que os trabalhadores estão pedindo.

Segundo o sindicato, na semana passada, o Sinfavea havia oferecido um reajuste real de 0,5 por cento.

Reportagem de Alberto Alerigi Jr.

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