CENÁRIOS-Paes é favorito e segunda vaga segue indefinida no Rio

sexta-feira, 3 de outubro de 2008 15:26 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 3 de otubro (Reuters) - Com apenas uma vaga para o segundo turno da eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro aparentemente definida a favor de Eduardo Paes (PMDB), analistas trabalham com cenários distintos de disputa.

Veja a segir algumas hipótesess consideradas pelos cientistas políticos Jairo Nicolau, do Iuperj, e Cesar Romero Jacob, da PUC-Rio.

* "Em todos os cenários, Paes é favorito. Não significa que vá vencer. Ele tem os pobres, entra um pouco na zona sul e pode captar os partidos de esquerda (se receber apoio do PT e do PCdoB no segundo turno). Se Marcelo Crivella (PRB) passar, não tem nem graça, será massacrado pelo Paes. O candidato mais duro de enfrentar será Fernando Gabeira (PV), porque vai fechar com grande parte da classe média. O desafio de Gabeira é modular o discurso, muito elitizado, e conseguir conectar com os eleitores mais pobres." (Nicolau)

* "Trabalhando com o cenário de Jandira Feghalli (PCdoB) ou Gabeira no segundo turno, temos algumas hipóteses. A primeira é que Crivella perdeu votos com a divisão dos evangélicos (entre a Igreja Universal, de onde é bispo licenciado, e a Assembléia de Deus). A segunda é que Gabeira ultrapasse Crivella por conta de uma junção de vários políticos que estão impulsionando sua candidatura para inviabilizar Eduardo Paes, candidato do governo estadual. Seria uma tentativa de impedir que o mesmo grupo político controle o governo do Estado e a prefeitura da capital." (Jacob)

* "Outra hipótese, já olhando 2010, seria que forças políticas locais que não estão na base de sustentação do presidente Lula tenham interesse em evitar uma disputa entre dois candidatos do presidente, como Paes e Crivella. Lembremos que Alckmin não foi mal no Rio de Janeiro em 2006. O Gabeira pode ir ao segundo turno por duas situações que se cruzariam: a disputa local, contra a hegemonia do PMDB no Estado, e a eleição nacional de 2010." (Jacob)

* "Gabeira fez uma campanha para a classe média não-esquerda. A classe média de esquerda era um território já ocupado por Chico Alencar (PSOL), Alessandro Molon (PT) e Jandira. No campo da classe média não-esquerda, tinha a candidata do prefeito (Solange Amaral, do DEM), que não conseguiu emplacar, e o Eduardo Paes, de quem conseguiu tirar eleitores. Gabeira começou a campanha, antes da entrada do Paes, com um percentual significativo de intenção de votos, depois ficou sangrando e agora se recuperou." (Nicolau)

* "Crivella tem piso de votos alto e teto baixo. Ele cresce, mas não explode; cai, mas não espatifa. É um candidato bom para primeiro turno e ruim para segundo. Atua um nicho bem específico, o nicho dos evangélicos, e tem muita dificuldade de transbordar desse núcleo para outros eleitores. A rejeição dele é grande na classe média. Ele sofre com a memória na capital dos governos Anthony Garotinho e Rosinha (ambos evangélicos) e do populismo." (Nicolau)

* "Os três grandes candidatos são de nichos: Crivella dos evangélicos; Gabeira da classe média não-esquerda e Jandira do eleitor de esquerda e lulista. O candidato mais homogêneo é Eduardo Paes, que ganha votos em todas as áreas da cidade. Ele conseguiu juntar máquina eleitoral, campanha agressiva, carisma e apoio do governador. Mas não é o candidato dos pobres. Tem votos na classe média também." (Nicolau)

* "A cidade está repleta de militantes de aluguel do Eduardo Paes bandeirando as principais avenidas e, se Gabeira chegar ao segundo turno, precisará lidar com isso. Gabeira não tem máquina eleitoral, mas o (prefeito) Cesar Maia sim. Há um desentendimento lá atrás entre Cesar Maia e Eduardo Paes, que já foram do mesmo grupo político. É possível que Cesar Maia tenha o Gabeira como opção no segundo turno e coloque sua máquina no subúrbio a favor dele." (Jacob)

(Reportagem de Carla Marques, Edição de Mair Pena Neto e Alexandre Caverni)