3 de Dezembro de 2007 / às 21:44 / em 10 anos

Planalto e oposição não têm segurança sobre votos da CPMF

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros próximos ao Planalto admitiram em reunião nesta segunda-feira que contam com margem estreita de votos para aprovar no Senado a emenda que prorroga a CPMF até 2011.

A informação é do ministro das Relações Institucionais, José Múcio (PTB-PE), que participou da reunião de coordenação política junto com os ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça).

"Segurança (para votar) seria um desafio. Nós estamos seguros do empenho de todos. Há muita gente trabalhando com responsabilidade, isso nos dá estímulo, mais que segurança", disse Múcio a jornalistas no Planalto.

Colabora para o placar apertado a postura de senadores "infiéis" (de partidos da oposição) que estariam propensos a aprovar a CPMF, mas ao mesmo tempo têm receio de perder o mandato por requisição das legendas que se sentiriam traídas.

Para contornar este problema e tentar convencer outros senadores rebeldes da base, Múcio pediu a interferência direta do presidente. As conversas com senadores podem acontecer ainda nesta semana. Foi pedido a Lula que adie viagens já agendadas para ajudar nas negociações, caso a votação fique para a próxima semana, mas o presidente, segundo Múcio, afirmou que não tem como cancelar as visitas programadas.

No próximo domingo, Lula parte para a Argentina, onde participa da posse da presidente eleita, Cristina Kirchner. Na sequência, vai à Bolívia e Venezuela. E ainda ao Uruguai no dia 17.

Questionado se a votação da CPMF ocorreria na quinta-feira desta semana, Múcio passou a bola para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), dizendo que o senador é quem dá o sinal verde para isso.

No Senado, o presidente interino, Tião Viana (PT-AC), indicou a dificuldade de governo e oposição em conseguir os votos necessários para aprovar ou derrubar a emenda.

"É uma corda esticada. O governo tem uma oscilação de seis votos para mais ou para menos toda hora. Isso vai ficar assim até o último segundo", acrescentou.

OPOSIÇÃO

Num sintoma de que também não conta com os votos necessários para derrubar a continuidade da CPMF, o PSDB e o DEM decidiram, no final da tarde, mudar a estratégia quanto ao ritmo de tramitação da proposta da CPMF. Ao invés de acelerar o processo, a oposição decidiu exigir o cumprimento dos prazos previstos no regimento do Senado.

"Cautela é recomendável neste momento. A oposição vai agir com toda a cautela, dia a dia", afirmou o líder do Democratas, José Agripino Maia (RN). Na semana passada, o senador dizia que os votos contrários somavam 33, o que impediria que o governo chegasse aos 49 votos necessários para a aprovação.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reconheceu a dificuldade de parte a parte. "Vai ser uma votação muito dura. Quem disser que está resolvida não está dizendo com segurança coisa nenhuma. Vai ser resolvida por pouquíssimo voto, dois ou três, no máximo", afirmou, segundo a Agência Brasil.

Após tramitar no plenário e receber emendas, a PEC da CPMF recebeu emendas e volta à Comissão de Constituição e Justiça. Jucá confirmou a entrega de seu parecer sobre as emendas na terça-feira e pretende votá-lo na quarta, o que viabilizaria a votação em plenário na quinta-feira.

O Planalto organiza para quarta-feira o lançamento do PAC Saúde, com medidas destinadas a melhorar o atendimento a hospitais e aumentar a qualidade da medicina preventiva, entre outras. A cerimônia deve ser um palco para Lula tentar angariar votos para o imposto do cheque. Governadores foram convidados, entre eles tucanos que sinalizaram apoio à CPMF.

Reportagem de Carmen Munari

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