4 de Março de 2008 / às 16:50 / em 10 anos

Bancos se reúnem no Rio para mostrar esboço do plano de reforma

Por Christian Plumb

NOVA YORK (Reuters) - Quatro meses após prometer uma resposta liderada pela indústria para a crise de crédito, alguns dos principais bancos do mundo vão se encontrar no Rio de Janeiro nesta semana para mostrar ao mercado o primeiro esboço desse plano.

Os presidentes-executivos do Deutsche Bank e do espanhol BBVA estão entre os destaques do encontro que será realizado no Copacabana Palace, refúgio tradicional de nobres e ‘rock stars’.

Desde que os principais bancos do mundo reconheceram em outubro a responsabilidade pela crise do subprime e prometeram reformas, as coisas ficaram no mínimo piores para o setor.

Bancos, corretoras e seguradoras já realizaram a baixa contábil de mais de 150 bilhões de dólares em ativos podres --muitos dos quais ligados ao mercado de hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos.

A última estimativa de analistas do UBS coloca o preço total da crise em 600 bilhões de dólares, com bancos e corretoras reponsáveis por mais da metade desse montante.

Os órgãos reguladores e os bancos centrais pediram recentemente por soluções propostas pelo mercado para o que eles chamaram de falta de transparência dos bancos. A questão é se o Instituto de Finanças Internacional (IIF, em inglês) pode oferecer respostas que pareçam confiáveis para os reguladores.

Se isso não for possível, os órgãos têm sinalizado que virão com suas próprias soluções.

“Eles estão olhando para nós com certa expectativa, e nós vamos desenvolver algumas idéias confiáveis e formadas pragmaticamente”, disse à Reuters o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, acrescentando que a conferência no Rio vai oferecer somente uma visão preliminar dessas idéias, que ainda precisarão ganhar apoio dos membros do instituto.

“GERAR PARA DISTRIBUIR”

A reforma proposta provavelmente vai incluir o fortalecimento da supervisão dos conselhos e a formação de comitês de risco, disse Dallara.

O grupo também pode tratar do chamado modelo de “gerar para distribuir”, no qual os corretores de hipotecas e os bancos que emprestam dinheiro raramente mantêm a dívida em seus balanços. Isso favoreceu um ambiente em que os concessores de crédito afrouxaram seus critérios, sabendo que não seriam responsabilizados se os empréstimos ficassem comprometidos.

“Essas crises se baseiam em pessoas que tomam um monte de risco e esperam que poderão se desfazer dele antes que ele seja concluído, colhendo os ganhos antecipadamente”, disse Edward Kane, professor de finanças do Boston College, que presta consultoria para o Banco Mundial. “Você precisa mesmo de uma reforma ética no setor, para que as pessoas tenham mais responsabilidade fiduciária.”

Em uma pista de que a questão ética está na agenda do IIF, Francisco González, diretor do BBVA e orador na conferência, pediu que os bancos que emitem ativos securitizados mantenham parte do risco em seus balanços e expliquem como são calculadas as avaliações de preço.

Mesmo assim, a necessidade de consenso entre os membros pode limitar a capacidade do IIF para impulsionar reformas mais dramáticas.

“É um grupo de bancos e, quando os bancos falam, eles geralmente o fazem com seus resultados em mente”, disse Jerry Caprio, professor de economia do Williams College. “Eles podem propor medidas para uma reforma regulatória agora, porque estão preocupados que possa haver algumas mudanças no meio da crise que eles não gostem.”

O local da conferência, de frente para o mar, pode dar algum alívio para os diretores de bancos, mas também ressalta uma das grandes ironias da atual crise --o IIF foi formado nos anos 1980 para ajudar a formular uma resposta do setor à crise da dívida da América Latina.

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