Menos reajustes salariais ganham da inflação no 1o semestre

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 13:12 BRT
 

Por Daniela Machado

SÃO PAULO, 4 de setembro (Reuters) - A inflação afetou as negociações salariais no primeiro semestre, mas não de forma decisiva, avaliou o Dieese nesta quinta-feira ao divulgar que cerca de 86 por cento dos aumentos definidos de janeiro a junho no país foram iguais ou superiores ao INPC.

Esse percentual é menor que o visto na primeira metade dos últimos dois anos, mas supera o registrado no período entre 1996 e 2004.

"(Além da inflação) deve-se considerar a ocorrência de outros fatores no desempenho das negociações", como crescimento econômico e expansão do nível de emprego, destacou o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, que considera prematuro projetar o efeito da inflação sobre os próximos reajustes de salário.

"Dados mais recentes apontam certa acomodação dos preços, sugerindo mais a existência de um realinhamento de preços do que um processo de descontrole inflacionário."

Ainda assim, analistas vão monitorar de perto as próximas negociações pelo receio de inércia inflacionária. Categorias de peso, como a dos metalúrgicos --que já iniciaram paralisações-- e dos bancários têm data-base no segundo semestre.

De 309 negociações analisadas pelo Dieese, 14 por cento apresentaram reajuste insuficiente para recuperar o valor de compra dos salários no ano anterior. Em igual período do ano passado, esse percentual era de apenas 3 por cento.

Os reajustes iguais ao INPC corresponderam a 12 por cento do total, ante 10 por cento em 2007. Quanto aos reajustes com ganho real, a parcela caiu de 87 para 74 por cento.

Comércio e indústria foram os setores com maior concentração de reajustes superiores à inflação. O setor de serviços ficou com os resultados mais modestos.   Continuação...