Petrobras descarta aumentar gasolina mesmo com petróleo a US$100

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 11:18 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Apesar da mudança de patamar do preço do petróleo, que gira em torno dos 100 dólares o barril desde o início do ano, a Petrobras descarta ajustar a gasolina e o diesel, cujo último aumento foi praticado no final de 2005.

Segundo o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, ainda existe grande volatilidade nos preços da commodity e a expectativa é de queda com o final do período de inverno do hemisfério Norte, no início do segundo trimestre.

"A variação tem sido muito grande, em um dia o preço do petróleo varia 3 a 4 dólares, é realmente assustador, antes variava centavos de dólar, hoje 3 a 4 dólares por dia", avaliou Costa em entrevista à Reuters.

Na quinta-feira, analistas consideraram a manutenção dos preços dos principais produtos da empresa --responsáveis por 60 por cento da receita-- como fator de queda das ações da companhia.

Os papéis preferenciais da Petrobras caíram 1,6 por cento na quinta-feira, enquanto as petrolíferas do mundo inteiro registraram altas expressivas por conta dos altos preços do petróleo, que voltou a bater na marca dos 100 dólares na quinta-feira.

Para Costa, o benefício com a valorização do real é suficiente para compensar o congelamento dos dois combustíveis, e por isso não há motivo para reajuste.

"Ainda temos que avaliar os 100 dólares, para ver se vão continuar ou não...já tem analista prevendo que daqui a pouco acaba o inverno no hemisfério Norte e o petróleo pode entrar numa faixa média de 75 dólares no ano", explicou.

"A Petrobras nesse momento não vai fazer nenhum aumento de preço de diesel ou na gasolina", afirmou.

Ele lembrou que outros produtos como nafta, querosene de aviação, óleo combustível e asfalto têm ajustes automáticos por contrato por meio de uma fórmula pré-determinada. O preço do asfalto, por exemplo, teve aumento de 14,5 por cento, mas Costa não soube precisar o ajuste dos demais produtos ajustados por contrato.

Em 1o de janeiro, a estatal anunciou o aumento do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) Industrial, em 15 por cento, depois de cinco anos com o preço congelado. O gás de cozinha, no entanto, não terá aumento, garantiu Costa.