Incerteza trava mercado de câmbio e volume não chega a US$200 mi

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 17:35 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no mercado interbancário de câmbio travou os negócios, e o dólar teve uma sexta-feira de incerteza e volume muito abaixo da média.

A moeda norte-americana subiu 0,11 por cento, para 1,755 real. A alta ocorreu com a piora dos mercados no exterior após um relatório bem mais fraco do que o esperado sobre a geração de emprego nos Estados Unidos.

Segundo um operador, o volume registrado pelo Banco Central no mercado interbancário ficou em 184 milhões de dólares, bem abaixo do registrado em dias normais --na véspera, os agentes movimentaram mais de 3 bilhões de dólares.

"O mercado está muito confuso. Não tem nada claramente explicitado", disse o gerente de câmbio de um banco estrangeiro, que preferiu não ser identificado. "Tem muitos bancos que não estão nem operando."

No mercado interbancário de câmbio, os bancos compram e vendem dólares para ajustar suas posições adquiridas com operações financeiras e de comércio exterior, por exemplo.

O clima entre os agentes era de insatisfação. "Parece que... o governo vai estudar mais detalhadamente essa questão e, se constatar que está gerando problemas, ela pode ser revista", comentou Francisco Gimenez Neto, diretor operacional da NGO Corretora de Câmbio.

As mudanças no IOF fazem parte de um pacote definido pelo governo para compensar as perdas com o fim da CPMF, derrubada pelo Congresso no final de 2007. As medidas foram publicadas em decreto na noite de quinta-feira e explicadas em entrevista coletiva nesta tarde. [nN04423583]

Entre as incertezas trazidas pela mudança, Gimenez citou a cobrança que alguns bancos já estariam fazendo sobre todas as operações com dólar --o que pode trazer um custo extra para as empresas. Por exemplo, "o banco faz 100 milhões de dólares de importação e 50 (milhões) de exportação. Em 50 (milhões) não vai incidir a alíquota", já que esse montante não vai precisar ser adquirido pelo banco no interbancário.

Apesar da falta de liquidez, o BC compareceu no mercado à vista e realizou um leilão de compra de dólares. A autoridade monetária definiu taxa de corte a 1,7590 real e aceitou, segundo operadores, apenas uma proposta.

(Edição de Alexandre Caverni)