4 de Abril de 2008 / às 10:23 / 9 anos atrás

EDP está otimista com oferta de ações de unidade de renováveis

Por Sérgio Gonçalves

LISBOA (Reuters) - A EDP-Energias de Portugal está otimista quanto à oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da EDP-Renováveis -- quarta eólica mundial -- e mantém a perspectiva de realizar a operação no início de junho, disse o diretor financeiro da EDP, Nuno Alves.

Em entrevista durante o Reuters Latin America Investment Summit, o executivo admitiu que, apesar das condições de mercado estarem muito voláteis, estão “melhores do que há duas semanas” para fazer este IPO que foi lançado em janeiro. Ele prevê a venda de 20 a 25 por cento através de um aumento de capital.

“Estou mais otimista, estamos otimistas desde o início da operação. A nossa perspectiva continua a ser ir para o mercado por volta de junho, no princípio de junho”, disse Alves.

“O nosso objetivo numero 1 é, em junho, fazer o IPO das renováveis, pois continuamos pensando que tem razão de ser, tem o seu espaço e tem a sua procura. A decisão de avançar ou não, só a tomaremos lá para maio”, adiantou.

Esta subsidiária de renováveis da EDP inclui a européia NEO Energia e a americana Horizon comprada em 2007, integrando também uma mini-hídrica e devendo, no futuro, vir a absorver os negócios de “energia solar” e de “energia das ondas”.

Nuno Alves realçou que a EDP-Renováveis oferece aos investidores “um investimento exclusivamente em eólica, não tem contaminação de mais nenhum outro negócio e tem uma dimensão grande pois, se fosse cotada hoje no PSI20, seria uma das três a cinco maiores”.

“Tem também um perfil de risco baixo pois os cash-flows são previsíveis e esta sua elevada previsibilidade dá para ter uma perspectiva de garantia de retorno melhor que o normal”, afirmou.

O diretor lembrou que a maior parte da dívida da EDP-Renováveis é relativa a empréstimos da EDP, e a intenção é que parte do IPO “seja para pagar a dívida à EDP e o restante para financiar o crescimento da EDP-Renováveis”.

Em 2007, a EDP-Renováveis aumentou em 132 por cento a capacidade eólica bruta instalada, para 3.640 megawatts (MW), e quer investir 6,2 bilhões de euros --60 por cento do investimento da EDP-- de 2007 até 2010 para chegar a 7.600 MW.

Entre 2011 e 2013, a EDP-Renováveis espera continuar a crescer 1.200 MW por ano, tendo um “pipeline” (projetos com licenças já concedias e estudos de impacto ambiental e de ventos já concluídos) eólico total de 14.838 MW.

“Poderia haver alguns ajustes com ligeira alta face ao apresentado mas, neste momento, por razões legais, tenho de manter todos os números que são públicos”, acrescentou.

As últimas avaliações apontavam para que a EDP-Renováveis estaria entre 7,5 e 11 bilhões de euros, sendo este último valor de setembro ou outubro de 2007.

Mas, entretanto, os mercados pioraram e a própria líder mundial das eólicas --Iberdrola Renovables -- desde o seu IPO, em dezembro de 2007, caiu cerca de 19 por cento.

Contudo, Nuno Alves destacou que, em termos financeiros e de liquidez, a EDP continua com linhas de crédito expressivas e pode perfeitamente financiar o seu crescimento”.

“A EDP consegue financiar o seu crescimento, mas quer continuar em termos de rating a ser ‘single A”', disse.

ALTERNATIVAS

O diretor adiantou que, se em junho o mercado estiver “numa situação péssima que leve a cancelar o IPO, a EDP teria alternativas”, adiantando que “uma das alternativas seria arranjar um ou dois investidores para ficar com uma parte da EDP-Renováveis, cinco a 10 por cento cada”.

“Um investidor de longo prazo, que sabe avaliar ativos, daria sempre um preço muito mais justo, pois não está sujeito à volatilidade do mercado”, afirmou.

“Um aumento de capital está completamente fora de questão, não vamos fazer qualquer aumento de capital da EDP”.

Ele afirmou que a EDP e a argelina Sonatrach, que têm uma parceria para centrais térmicas de ciclo combinado (CCGT) na Península Ibérica, “estão também tentando ir em conjunto para o Brasil, para ter gás da Sonatrach para fabricar CCGTs”. A Sonatarch produz Gás Natural Liquefeito (GNL).

“Estamos pensando nisso, as autoridades brasileiras têm mostrado interesse. É coisa para segunda metade de 2009, senão antes”, afirmou Nuno Alves.

(Reportagem adicional Denise Luna, no Rio de Janeiro)

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