RPT-Dilma defende governos de coalizão para democracia estável

quinta-feira, 4 de outubro de 2007 16:22 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 4 de outubro (Reuters) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu a importância de governos com ampla coalizão e de uma reforma política para a estabilidade da democracia no país.

"Uma coisa importante no Brasil é o hábito da coalizão... Fazer coalizão no Brasil vai ser uma prática sistemática. Mesmo quando um partido é majoritário, seria prudente que ele fizesse coalizão para a estabilidade da democracia", declarou Dilma nesta quinta-feira.

A afirmação foi feita durante uma sabatina no Teatro Folha, quando a ministra respondia sobre queixas de peemedebistas que reivindicam o comando do Ministério das Minas e Energia. O PMDB é o maior partido da coligação governista.

Dilma prosseguiu dizendo que o Brasil também precisa melhorar as práticas políticas, "como nós melhoramos as instituições, como devemos melhorar sempre os órgãos de governo".

"Acredito que tem uma questão muito importante na pauta que é a reforma política para aumentar a governabilidade não só nossa, mas dos futuros governos no país."

Segundo Dilma, que evitou comentar a absolvição do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), alegando que o governo respeita as decisões "boas e ruins" tomadas pelos senadores, o presidente Lula tem se esforçado na reforma política desde o mandato anterior.

"Quando fizemos a coligação com o PMDB, fizemos sobre pontos programáticos. Um dos pontos era a reforma política, porque temos consciência que é fundamental para ter governabilidade que a reforma política seja encaminhada, que sejam administradas as práticas de coligação."

A ministra, que salientou ser apenas uma "assessora de Lula", não tendo "nenhuma iniciativa que não seja de governo", rejeitou especulações sobre uma eventual candidatura à Presidência da República.

Questionada se descarta suceder Lula, disse: "Temos apenas dez meses do governo no segundo mandato. Não temos interesse em antecipar a discussão sobre a sucessão. Eu, pessoalmente, não sou candidata, sinto desapontá-los".

Na mesma linha conciliatória, Dilma disse que o PT tem duas opções nas próximas eleições: "O PT pode pleitear (a disputa)... Como é possível uma composição."