Tarso Genro: Extradição de Cacciola é vitória contra impunidade

sexta-feira, 4 de julho de 2008 16:21 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola representa uma vitória da Justiça brasileira contra a impunidade e um exemplo para a sociedade, disse o ministro da Justiça, Tarso Genro.

"É um fato positivo porque se trata de um réu condenado a 13 anos e meio de prisão e que estava fora do alcance da Justiça brasileira", destacou o ministro em entrevista a jornalistas na sexta-feira.

Tarso recebeu a notícia da decisão do príncipe Albert de Mônaco, autorizando a extradição, pela manhã. Agora, o governo brasileiro espera um comunicado do governo monegasco permitindo o transporte de Cacciola, o que deve acontecer na próxima semana.

Segundo o ministro, o país terá condições de trazer o banqueiro de volta ao território nacional em 48 horas depois de receber a permissão.

"O senhor Cacciola será entregue ao juiz de execução do Rio de Janeiro, que resolverá onde ele ficará preso", disse o ministro.

Para o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr, o regresso de Cacciola ao Brasil pode demorar até duas semanas. Isso porque o banqueiro terá que sair de Mônaco e passar por um terceiro país antes de embarcar para o Brasil. As opções seriam trazê-lo via Itália ou França, países vizinhos ao principado, mas o governo brasileiro evitará entrar com o preso na Itália porque a nacionalidade italiana de Cacciola poderia suscitar manobras jurídicas.

A escolta será feita por agentes da Interpol e um funcionário do ministério da Justiça irá a Mônaco para oficializar o recebimento do preso. Ainda não está decidido se Cacciola será transportado em avião de carreira ou em avião da Força Aérea Brasileira. Tuma Jr ressaltou que a preferência é pela primeira opção.

"O príncipe destronou o rei da impunidade", ironizou o secretário nacional de Justiça, dizendo que o Brasil tentará localizar e repatriar os bens de Cacciola no exterior. (Reportagem de Fernando Exman)