July 4, 2008 / 5:51 PM / in 9 years

Petrobras diverge com Astra sobre expansão de Pasadena nos EUA

3 Min, DE LEITURA

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras e a Astra Holdings, parceiras com 50 por cento cada na refinaria de Pasadena, nos EUA, trombaram de frente na gestão da companhia e o futuro do empreendimento vai ser determinado, possivelmente, por processo de arbitragem.

A Petrobras, que comprou metade da refinaria em 2006 e já havia manifestado desejo de levar a outra metade, deverá ficar com o controle total do empreendimento, já que a Astra decidiu excercer o direito de sair do negócio.

Segundo fonte próxima às conversas, a Astra teria uma visão de curto prazo enquanto a Petrobras planeja seus investimentos visando o longo prazo, "no mínimo 10 anos", reforçou.

"São diferentes visões, a Astra é uma trading, não quer se comprometer, o melhor é que cada uma siga seu caminho", disse a fonte à Reuters.

A questão agora é o preço, onde entra a arbitragem e também detalhes do contrato entre as duas. A Petrobras informou em comunicado que "o preço a ser pago é estabelecido por um mecanismo determinado contratualmente".

A fonte explicou que a arbitragem está prevista justamente para garantir um preço justo. Ele não soube informar no entanto qual seria o valor dos ativos da Astra.

A estatal brasileira pagou 360 milhões de dólares pelos 50 por cento da refinaria em 2006, que tem capacidade para processar 100 mil barris diários de petróleo. Por diversas vezes a Petrobras disse que teria interesse em dobrar a capacidade da unidade.

Os problemas entre as duas na gestão da companhia não ficaram claros, apesar dos comunicados divulgados pelas empresas.

"Após a falta de concordância entre as partes no conselho diretor da entidade, a Transcor Astra Group também exerceu seu direito de colocar para a Petrobras esse ativo", disse a companhia belga NPM/CNP, que controla a Astra.

A companhia disse que iniciou processo nos EUA para proteger seus interesses na companhia, incluindo o direito de vender.

Já a Petrobras disse que havia entrado com processo arbitral ainda antes, em 19 de junho, "para resolver problemas relacionados à falha, pelo Transcor Astra, em cumprir com suas obrigações contratutais na operação".

A estatal não disse se ficará com a outra metade, apesar de já ter demonstrado interesse nisso e dos altos preços do petróleo favorecerem o negócio.

"A Petrobras, através de seus advogados e consultores, está analisando as condições dessa opção de venda do Transcor Astra", informou a empresa.

A brasileira já declarou ter interesse em elevar sua participação no mercado de petróleo e derivados dos Estados Unidos [nN16364649].

Com reportagem adicional de Denise Luna; Edição de Camila Moreira

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