Ex-presidente do UBS defende venda do Pactual

sexta-feira, 4 de abril de 2008 11:37 BRT
 

Por Thomas Atkins

ZURIQUE, 4 de abril (Reuters) - As pressões para uma divisão do banco suíço UBS UBSN.VX se intensificaram depois que o investidor e ex-presidente-executivo Luqman Arnold passou a exigir uma reestruturação.

Arnold quer a saída do novo presidente do conselho da instituição, a venda da divisão brasileira (o Pactual) e o agrupamento do restante em uma holding com visão de reduzir o grupo para suas origens de administração de fortunas.

"A reputação do UBS tem sido destruída por atividades totalmente separadas de qualquer negócio dos clientes", disse Arnold em carta divulgada nesta sexta-feira.

As ações do UBS subiam 2 por cento após a divulgação das exigências, enquanto o índice europeu de bancos exibia queda de 0,9 por cento às 11h18 (horário de Brasília).

O grupo de investimentos de Arnold, Olivant, informou que controla 0,7 por cento do capital do UBS. Isso o tornaria um dos 10 maiores acionistas da maior gestora de fortunas do mundo e de um dos banco mais duramente atingidos pela crise global de crédito.

O UBS tem rejeitado pedidos para mudanças drásticas, afirmando que seu foco duplo de banco de investimento e de administração de recursos é positivo.

A instituição já afastou sua administração anterior e busca levantar 34 bilhões de francos suíços (33,5 bilhões de dólares) em capital, depois de ter registrado cerca de 37 bilhões de dólares em perdas contábeis com investimentos feitos durante a arriscada expansão da área. Porém, para Arnold as medidas não são suficientes.

"A idéia de Arnold para a divisão do banco não pode ser equivocada e os eventos do ano passado confirmam isso. A área central de private banking do UBS tem sido colocada sob ameaça pela obsessão da administração anterior com banco de investimentos", disse o analista Peter Thorne, da corretora Helvea.

O retorno de Arnold como um investidor que pede mudanças no UBS não é livre de ironias: ele atuou como presidente-executivo da instituição antes de ser afastado em 2001 após uma disputa sobre estratégia com o presidente do conselho, Marcel Ospel --que, por sua vez, renunciou ao cargo esta semana por causa da catástrofe do subprime.