ANÁLISE-Eventual venda do Pactual atrai bancos do país e de fora

sexta-feira, 4 de abril de 2008 14:41 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr. e Todd Benson

SÃO PAULO, 4 de abril (Reuters) - Uma potencial venda da divisão brasileira do banco suíço UBS UBSN.VX, o Pactual, atrairia o interesse de grandes instituições financeiras internacionais, afirmaram analistas nesta sexta-feira. Mas os dois maiores bancos privados do país não estariam fora do páreo.

Luqman Arnold, ex-presidente do UBS, um dos bancos mais atingidos pela crise decorrente das hipotecas de alto risco dos Estados Unidos, defendeu nesta sexta-feira a venda do Pactual --cuja aquisição foi concluída pelo banco suíço por 2,5 bilhões de dólares em maio de 2006.

Eventuais interessados no Pactual "seriam Goldman Sachs (GS.N: Cotações), Merrill Lynch MER.N e Morgan Stanley (MS.N: Cotações), que estão entrando no Brasil e isso rapidamente os alavancaria, além do que a aquisição condiz mais com a cultura desses bancos", afirmou o analista da Austing Rating, Luis Miguel Santacreu.

O Goldman Sachs abriu um banco de investimento no Brasil em março do ano passado, enquanto Morgan Stanley e Merrill Lynch buscam ampliar seus negócios no país.

"Acho que não há nenhum banco brasileiro com a cultura agressiva de premiação (de funcionários) que tem o Pactual. Além disso, nenhum banco brasileiro teria sinergias internacionais. A aquisição cairia como uma luva para um banco que não tivesse problemas no seu país de origem e que quisesse ganhar rapidamente uma posição no mercado brasileiro."

Entre os bancos brasileiros com "bala na agulha" para comprar o Pactual estariam Bradesco BBDC4.SA e Itaú ITAU4.SA, citou Santacreu. Os dois maiores bancos privados brasileiros também são vistos por outros especialistas como potenciais candidatos a uma eventual disputa pelo Pactual.

Procurado, o Pactual informou que "o UBS Pactual continua sendo uma empresa integrada com o UBS". A assessoria de imprensa da instituição citou comentário recente do presidente-executivo global, Marcel Rohner, de que "o banco é um ativo que gostamos de possuir porque acredito que se encaixe perfeitamente em nossa estratégia".

O Bradesco informou que não comenta o assunto e representantes do Itaú não se manifestaram.   Continuação...