PMDB tira Simon e Jarbas de CCJ e senadores apontam retaliação

quinta-feira, 4 de outubro de 2007 20:12 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O PMDB retirou os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, provocando forte reação dos dois parlamentares, que viram na sua destituição da comissão mais importante da Casa uma retaliação à oposição feita ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

"O PMDB está fazendo o que nem os militares conseguiram, me tirar da CCJ", disse Simon, que está em seu terceiro mandato seguido e ocupa uma vaga na CCJ desde 1991. Senador durante o regime militar entre 1979 e 1987, Simon também ocupou um assento na CCJ nesse período. O senador, no entanto, descartou deixar a legenda.

"Eu até poderia considerar essa possibilidade, mas para quê? Para deixar só essa gente no partido? Um senhor José Sarney (PMDB-AP), que entrou ontem? Um senhor Renan Calheiros, que veio da tropa de choque do (ex-presidente Fernando) Collor? Não vou deixar essa gente sozinha", disse.

Já Jarbas, que chegou ao Senado neste ano depois de encerrar seu mandato como governador de Pernambuco, disse não estar surpreso com a manobra dos colegas peemedebistas. "Eu não fico surpreso não", disse.

O parlamentar pernambucano reclamou ainda do fato de a decisão ter sido tomada na noite de quinta-feira, dia em que os senadores se preparam para voltar aos seus Estados e atribuiu a manobra a Renan.

"Não é o líder do PMDB que está falando, quem está falando chama-se Renan Calheiros", acusou.

Além de ser a comissão mais importante do Senado, por analisar todos os projetos que tramitam na Casa antes de eles irem ao plenário, a comissão também é responsável por referendar os processos do Conselho de Ética, onde o presidente do Senado enfrenta três representações.

Sob protestos da oposição, o presidente do conselho, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), já havia indicado o colega de legenda e aliado explícito de Renan, Almeida Lima (SE), como relator do processo em que o presidente da Casa é acusado de ser beneficiado por um esquema de arrecadação de recursos em ministérios comandados por peemedebistas

Quintanilha busca ainda um relator para a terceira representação contra Renan, em que ele é acusado de ter usado laranjas para adquirir emissoras de rádio em Alagoas.   Continuação...