Mercado acorda para crise e Bovespa vê mínima em 13 meses

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 18:18 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Medo de recessão na Europa, desemprego em alta nos Estados Unidos, forte queda das commodities, desaceleração da indústria automobilística doméstica. Essa combinação detonou uma espiral de ordens de vendas na Bolsa de Valores de São Paulo, levando-a ao menor patamar em 13 meses, após a quinta baixa consecutiva.

O Ibovespa, que chegou a subir na abertura, fechou em queda de 3,96 por cento, aos 51.408 pontos, acima somente da pontuação de fechamento em 21 de agosto do ano passado.

Patrocinado pela intensa volatilidade, o volume financeiro somou 5,22 bilhões de reais, o maior giro numa sessão regular em quatro semanas.

Na avaliação do economista-chefe da Bradesco Corretora, Dalton Luis Gardimam, o movimento desta quinta-feira revelou que os investidores estão percebendo com mais clareza os estragos provocados pela combinação de crise imobiliária nos Estados Unidos com escalada nos preços das commodities.

"Estava havendo uma minimização dos efeitos da crise, que agora está sendo corrigida, disse.

O alerta foi aceso de manhã pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, ao prever menos crescimento e mais inflação nos países do bloco.

O clima negativo nas bolsas internacionais cresceu com a divulgação de indicadores do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que apontou aumento dos níveis de desemprego. Os índices dos mercados, que já estavam nas mínimas do ano, romperam novos pisos, detonando uma saraivada de ordens de venda de ações para limitar perdas.

A espiral levou os principais índices de Wall Street e fechar com 3 por cento de queda.   Continuação...