PF segue três linhas de investigação sobre grampos, diz Tarso

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 18:48 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou na quinta-feira que a Polícia Federal adota três linhas de investigação para apurar o grampo telefônico ilegal sobre autoridades dos três poderes.

A primeira hipótese, que Tarso chamou de "terceirização" considera a possibilidade de que algum agente da Abin tenha contratado alguém da iniciativa privada para fazer o grampo.

A segunda possibilidade em exame é o desvio de conduta de um funcionário da própria Abin, que teria agido como espião. E a terceira linha de investigação é que alguém da agência tenha feito contato externo para fazer alguma escuta "mediante coação e chantagem ou para criar alguma instabilidade política".

"O Luiz Fernando Corrêa (diretor-geral da PF) me deu um relato completo e está trabalhando com essas três possibilidades num primeiro momento. Elas são as mais coerentes pelo tipo de denúncia que houve e pela ousadia e petulância de grampear o presidente do Supremo", disse Tarso a jornalistas, após participar de seminário no BNDES.

A Abin foi acusada de grampear conversa do ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), reproduzida pela revista Veja com base em informante anônimo da própria agência.

"A Polícia Federal vai usar toda tecnologia e experiência para chegar à conclusão de "quem fez, por que fez e para que fez o grampo", afirmou o ministro.

PENAS SEVERAS

Tarso Genro encaminhou nesta quinta-feira ao Planalto um anteprojeto de lei que cria penas mais severas para servidores públicos que fizerem uso ilegal de grampos ou vazarem informações. Além do processo criminal, o responsável por escutas ilegais responderá por improbidade administrativa.

"Ele (anteprojeto) ajuda o Estado a combater o desvio de conduta interna mas também pune de maneira supletiva quem favorece a divulgação do grampo externamente", defendeu Tarso.   Continuação...