Após três quedas, Bovespa já perde 5,4% em junho

quarta-feira, 4 de junho de 2008 18:05 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A extensão da queda das commodities realimentou a realização de lucros com empresas brasileiras ligadas a esse setor, levando a Bolsa de Valores de São Paulo à terceira baixa seguida nesta quarta-feira.

Ao cair 1,91 por cento, o Ibovespa recuou para 68.673 pontos, no menor patamar de fechamento desde 30 de abril, dia em que o Brasil recebeu o grau de investimento da agência Standard & Poor's. O giro financeiro do pregão foi de 7,2 bilhões de reais. No mês, o índice acumula baixa de 5,4 por cento.

Assim como nas duas primeiras sessões da semana, o movimento se concentrou nos papéis de maior liquidez. As ações preferenciais da Petrobras tiveram o pior desempenho do índice, cedendo 4,6 por cento, a 45,28 reais, acompanhando o petróleo, cuja cotação do barril caiu para 122,30 dólares, no menor valor desde 6 de maio.

Na mesma mão, as ações preferenciais da Vale perderam 3,05 por cento, a 50,85 reais; enquanto as preferenciais da Usiminas recuaram 3,9 por cento, a 82,65 reais.

Para profissionais do mercado, a recuperação do dólar frente a outra moedas, em meio à expectativa de fim do ciclo de cortes do juro básico dos Estados Unidos, desmontou a especulação com commodities, cuja alta vinha sustentando ganhos recordes de empresas nacionais.

"Em maio, a Bovespa subiu 7 por cento, enquanto as demais bolsas internacionais fecharam em queda. Agora, está havendo uma correção", disse Carlos Alberto Ribeiro, diretor da Novação Distribuidora.

Segundo ele, esse movimento foi reforçado pela expectativa de aperto mais forte na política monetária no Brasil para conter a alta de preços, após a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgar pela manhã que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em São Paulo subiu 1,23 por cento em maio, a maior alta mensal desde fevereiro de 2003.

O movimento aconteceu horas antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que define após o fechamento dos mercados o rumo da Selic, atualmente em 11,75 por cento ao ano.

(Edição de Vanessa Stelzer)