Lula mostra confiança em Doha e falará com líderes sobre rodada

segunda-feira, 4 de agosto de 2008 09:07 BRT
 

SÃO PAULO, 4 de agosto (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou-se confiante com o sucesso da Rodada de Doha sobre negociações comerciais globais e confirmou que conversará, nos próximos dias, com o presidente chinês, Hu Jintao, e com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, sobre o assunto.

"Eu não acredito que a rodada ainda tenha fracassado. Eu acho que houve dificuldades e na dificuldade foi melhor parar para repensar como continuar", disse Lula em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente.

"É apenas uma questão de tempo", disse. "Aqueles que já ficaram vendendo derrotismo, aqueles que já foram acender vela porque fracassou vão quebrar a cara, porque nós vamos concluir o acordo da Rodada de Doha", prometeu.

Lula disse que falará com Hu Jintao quando for à China, para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. O presidente afirmou ainda que aproveitará a proximidade do fuso horário indiano com o chinês para conversar com Singh, a quem chamou de "amigo".

No sábado Lula falou com o presidente dos Estados Unidos George W. Bush sobre o fracasso das negociações comerciais em Genebra na semana passada.

"Fui muito claro dizendo para o Bush que não era possível que dois países importantes como Estados Unidos e Índia, que estão negociando um acordo nuclear, não tenham condições de fazer um acordo na questão de alimento porque é muito pouco o que tem de diferença entre eles", disse Lula.

Uma das razões que levaram ao naufrágio das negociações comerciais em Genebra foi a divergência entre EUA, de um lado, e Índia e China, do outro, sobre um mecanismo de salvaguardas que protegeria agricultores de países em desenvolvimento contra surtos de importação.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, principal negociador do país nas conversas em Genebra, também participou do programa semanal de Lula no rádio e comentou o naufrágio das negociações para liberalizar o comércio mundial.

"Nós levamos (as conversas) até onde podíamos. E nos últimos momentos, inclusive, estávamos tentando exercer o papel de mediador, junto, naturalmente, com o diretor-geral (da Organização Mundial do Comércio) e com alguns outros países", contou Amorim.

"Eu acho que é sempre cedo para você dizer que Doha não deu certo. Não deu certo esse ciclo de negociações. O que nós vamos ter que saber é se vai poder resolver agora, ainda no curto prazo ou se vai precisar de mais dois, três anos, o que infelizmente é o que aconteceu com outras rodadas, como a Rodada do Uruguai", disse o ministro sobre as conversas, iniciadas há cerca de sete anos na capital do Catar.

(Texto de Eduardo Simões; Edição de Renato Andrade)