CÂMBIO-Piora externa pressiona dólar, que sobe mais de 1,5%

terça-feira, 4 de dezembro de 2007 10:29 BRST
 

SÃO PAULO, 4 de dezembro (Reuters) - A nova rodada de aversão ao risco no exterior pressionava o dólar nesta terça-feira, e a moeda voltava a valer mais de 1,82 real com alta superior a 1,5 por cento.

Às 10h29, o dólar BRBY era cotado a 1,827 real, em alta de 1,84 por cento. Nas últimas três sessões, a divisa encerrou os negócios com estabilidade.

Em um dia com poucos dados econômicos, pesava sobre os investidores a avaliação de que a liquidez nos mercados de crédito caiu a níveis que não eram vistos há vários anos. As taxas interbancárias de um mês em euros (Euribor) atingiram a máxima em quase 7 anos, e as taxas em libras (Libor) cravaram o maior nível em 9 anos.

A preocupação com o aperto no crédito voltava a derrubar as ações de bancos após meses de turbulência e reacendia a aversão ao risco. Com a busca por ativos mais seguros, o dólar subia em todo o mundo ante moedas de países com maior rendimento.

Essa piora do cenário externo encontrou no Brasil um mercado que tradicionalmente sofre com uma oferta de dólares mais limitada no final do ano.

"É muita remessa de dividendos... pressionando na saída de recursos. E o que a gente percebe (também) é um pouco de falta de linha (de crédito no exterior). Então a gente sente uma escassez do dólar no curto prazo", disse Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento.

Na véspera, a saída de recursos já havia afetado a moeda norte-americana, que fechou estável após passar boa parte do dia em queda. Segundo Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, no Rio de Janeiro, a recuperação do dólar no fim do dia ocorreu após uma operação de saída realizada por uma empresa de grande porte.

Nobrega citou ainda a queda do superávit comercial como um fator que tem diminuído a entrada de moeda no país. Em novembro, a balança registrou o menor resultado do ano.

"Lógico que ainda tem um superávit muito robusto, (mas) a expectativa para o ano que vem é uma balança um pouco menor", afirmou o gerente.   Continuação...