4 de Dezembro de 2007 / às 14:05 / 10 anos atrás

Membros da Opep mantêm em aberto possível aumento da produção

Por Stanley Carvalho e Thomas Ashby

ABU DHABI (Reuters) - Os grandes produtores de petróleo do golfo Pérsico que fazem parte da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) estão deixando em aberto a opção de aumentar a produção da commodity, o que pode levar os preços a bater ou não os 100 dólares por barril.

Os ministros de petróleo, reunidos para encontro na quarta-feira, adotaram uma linha coordenada, insistindo que a oferta é suficiente para atender a demanda de combustível para o inverno do Hemisfério Norte e que a alta dos preços é causada por fatores fora do controle da organização.

Mas os principais produtores do Golfo, liderados pela Arábia Saudita, evitam comentar se a Opep vai optar por um aumento da produção, na tentativa de conter os preços.

Ainda que a queda do petróleo para 89 dólares o barril, após o recorde de 99,29 dólares há duas semanas, tenha reduzido as apostas por mais petróleo da Opep, as potências do cartel ainda não mostraram o que têm na manga.

"Todas as opções estão abertas", disse Ali al-Naimi, ministro do petróleo do maior produtor do cartel, a Arábia Saudita.

Os países consumidores, preocupados com a desaceleração do crescimento norte-americano, acreditam que a Opep pode ajudar a aliviar a alta dos preços de energia com o aumento das exportações.

Alguns membros da Opep podem imaginar que seus interesses estarão melhores servidos por uma queda adicional dos preços, que sustentaria a economia mundial em meio à desaceleração do ciclo de 5 anos de crescimento.

Outros podem preferir manter os preços em um nível alto, argumentando que o crescimento dos últimos anos é prova de que a economia pode lidar bem com a alta do petróleo.

EMBATE

Até aqui, apenas Venezuela e Irã, apoiados pela Líbia, explicitamente defenderam que a produção siga inalterada. Mas produtores do Golfo, incluindo aliados sauditas como os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait, deixaram o mercado na dúvida sobre suas posições.

Quando a Opep se reuniu pela última vez, em setembro, ela sinalizou um aumento da produção. O volume modesto de 500 mil barris, porém, provocou uma forte alta dos preços.

Ainda que a Opep costume culpar os especuladores pela alta dos preços e diga que não tem influência sobre o mercado, analistas que estão em Abu Dhabi para a reunião dessa semana dizem que o cartel pode influenciar a direção dos preços.

"A percepção de escassez da oferta está orientando o mercado", disse John Hall, da John Hall Associates. "Se eles não aumentarem a produção, eu acho que os preços podem voltar até 100 dólares, com o barril nesse nível antes do fim do ano."

"Se a Opep não tomar medidas que resultem em aumento real da oferta, o risco é de que os preços retomem a trajetória positiva", disse Michael Rothman, diretor de pesquisa sobre petróleo da corretora norte-americana ISI Group.

Reportagem adicional de Peg Mackey, Randy Fabi, Alex Lawler e Simon Webb

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