Senado absolve Renan Calheiros, que mantém mandato parlamentar

terça-feira, 4 de dezembro de 2007 20:47 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) escapou nesta terça-feira, pela segunda vez, de ter o mandato cassado por suposta quebra de decoro parlamentar. Pouco antes, durante a sessão que analisava seu futuro político, ele renunciou à presidência do Senado.

Por 48 votos a favor do senador, 29 contra e 3 abstenções, o plenário do Senado manteve o mandato de Renan. Eram precisos 41 votos (maioria absoluta) para condená-lo.

A sessão de debates sobre a recomendação de cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Casa foi aberta, mas a votação permaneceu secreta.

Renan, que fez a própria defesa no plenário, se disse inocente da acusação de que teria adquirido veículos de comunicação em Alagoas por meio de "laranjas". Afirmou que não há provas contra ele, questionou os indícios apresentados no processo e disse que o principal acusador, o usineiro alagoano João Lyra, é seu desafeto político.

"É o ódio de um adversário local cujos métodos o povo de Alagoas conhece e condena", disse. "Tudo é invencionice."

Autor do relatório aprovado pelo Conselho de Ética que propunha a cassação do mandato de Renan, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) afirmou, quanto à alegação de falta de provas, que o processo parlamentar é diferente de um processo judicial.

Em caso de investigação por quebra de decoro, "um conjunto tão forte de indícios bem vale como uma prova", afirmou.

(Reportagem de Isabel Versiani)