Após Doha, Brasil e Argentina tentam unificar discurso

segunda-feira, 4 de agosto de 2008 14:35 BRT
 

Por Lucas Bergman

BUENOS AIRES (Reuters) - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner buscaram na segunda-feira unificar a mensagem comercial ao mundo após o curto-circuito entre os dois países na fracassada negociação da Rodada de Doha.

Os dois presidentes abriram um seminário com centenas de empresários argentinos e brasileiros e os convocaram a se associarem para investir e aproveitar a crescente demanda mundial por bens agroindustriais que a região produz.

O Brasil tentou até o último instante que a fracassada Rodada de Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC) culminasse com um acordo que abriria o setor industrial de países menos desenvolvidos, mas a negativa de outros países, como a Argentina, acelerou o fracasso da negociação.

A Argentina considerou que era limitada a contrapartida oferecida pelos países ricos na abertura de seus mercados agropecuários.

Lula deu o capítulo por encerrado e tratou de mirar oportunidades futuras.

"Os subsídios dos países ricos encarecem os alimentos e inibem os investimentos em países com vocação agrícola. Mas há também um fator positivo: dezenas ou centenas de homens e mulheres passaram a se alimentar melhor em todo o mundo, sobretudo em nossos países", disse Lula.

"A frustração da Rodada de Doha exige que multipliquemos em outros cenários nossos esforços para eliminar as distorções e barreiras ao comércio internacional. Argentina e Brasil podem liderar a resposta do Mercosul e da América do Sul a esses desafios", acrescentou.

A presidente argentina concordou com Lula que a região não pode desperdiçar este momento em que a situação do comércio internacional pode beneficiar os países menos desenvolvidos.   Continuação...