Siderurgia brasileira vai continuar a crescer em 2008

terça-feira, 4 de dezembro de 2007 18:26 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção e o consumo de aço no Brasil vão continuar crescendo em 2008, depois de um ano de recordes puxados pelo crescimento econômico brasileiro. Mas o país ainda engatinha na comparação com outros em desenvolvimento, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) e da Usiminas, Rinaldo Soares.

Enquanto amadurecem os projetos de expansão que devem acrescentar 22 milhões de toneladas de aço à produção até 2012, o setor trabalha com o "cobertor curto", e para atender ao mercado interno precisa reduzir exportações, como ocorreu em 2007.

"Todos estão trabalhando na capacidade máxima, este ano foi um ano excepcional e (a produção) está crescendo mais", disse Soares, que admite alta no preço do aço em 2008. O ajuste, acrescentou ele, vai depender dos preços de insumos como minério de ferro, carvão, além do frete.

"O preço este ano já foi melhor do que do ano passado e vai subir ano que vem, sem dúvida vai haver correção, mas vai ser em função do mercado internacional", disse o executivo que não quis arriscar um patamar de ajuste para o minério de ferro, cujas negociações já foram iniciadas, e para o qual está sendo estimada alta entre 30 e 50 por cento.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBS, em 2007 o Brasil produziu o volume recorde de 33,9 milhões de toneladas de aço, crescimento de 9,9 por cento em relação ao ano passado, e deve pular para 37,6 milhões de toneladas em 2008, elevação de 10,8 por cento contra o ano anterior.

Já as exportações caíram 15,6 por cento este ano, para 10,5 milhões de toneladas, com destaque para a venda externa de aços planos, 26,6 por cento menor do que há um ano. Por outro lado, a venda no mercado interno, que se traduz em maior lucro para as empresas, cresceu 18 por cento na mesma comparação, para 20,6 milhões de toneladas.

A construção civil e a indústria automobilística estão sendo as principais locomotivas do setor, seguidas pelo setor de petróleo e gás, máquinas industriais e agrícolas.

Soares lembrou que apenas a China vai exportar este ano cerca de 60 milhões de toneladas, "ou quase dois brasis, o que mostra que a nossa siderúrgica ainda é bem tímida".   Continuação...