4 de Dezembro de 2007 / às 15:15 / em 10 anos

Siderurgia brasileira vai continuar a crescer em 2008

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção e o consumo de aço no Brasil vão continuar crescendo em 2008, depois de um ano de recordes puxados pelo crescimento econômico brasileiro. Mas o país ainda engatinha na comparação com outros em desenvolvimento, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) e da Usiminas, Rinaldo Soares.

Enquanto amadurecem os projetos de expansão que devem acrescentar 22 milhões de toneladas de aço à produção até 2012, o setor trabalha com o “cobertor curto”, e para atender ao mercado interno precisa reduzir exportações, como ocorreu em 2007.

“Todos estão trabalhando na capacidade máxima, este ano foi um ano excepcional e (a produção) está crescendo mais”, disse Soares, que admite alta no preço do aço em 2008. O ajuste, acrescentou ele, vai depender dos preços de insumos como minério de ferro, carvão, além do frete.

“O preço este ano já foi melhor do que do ano passado e vai subir ano que vem, sem dúvida vai haver correção, mas vai ser em função do mercado internacional”, disse o executivo que não quis arriscar um patamar de ajuste para o minério de ferro, cujas negociações já foram iniciadas, e para o qual está sendo estimada alta entre 30 e 50 por cento.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBS, em 2007 o Brasil produziu o volume recorde de 33,9 milhões de toneladas de aço, crescimento de 9,9 por cento em relação ao ano passado, e deve pular para 37,6 milhões de toneladas em 2008, elevação de 10,8 por cento contra o ano anterior.

Já as exportações caíram 15,6 por cento este ano, para 10,5 milhões de toneladas, com destaque para a venda externa de aços planos, 26,6 por cento menor do que há um ano. Por outro lado, a venda no mercado interno, que se traduz em maior lucro para as empresas, cresceu 18 por cento na mesma comparação, para 20,6 milhões de toneladas.

A construção civil e a indústria automobilística estão sendo as principais locomotivas do setor, seguidas pelo setor de petróleo e gás, máquinas industriais e agrícolas.

Soares lembrou que apenas a China vai exportar este ano cerca de 60 milhões de toneladas, “ou quase dois brasis, o que mostra que a nossa siderúrgica ainda é bem tímida”.

Ele informou, no entanto, que se todos os projetos siderúrgicos em andamento forem concretizados, a estimativa do IBS é de que a produção suba para 59 milhões de toneladas em 2012, ou para 78 milhões de toneladas se forem incluídos os projetos apenas anunciados e não em andamento.

Segundo Soares, a entrada em operação de novos projetos no final de 2007, como a expansão da ArcelorMittal Tubarão e da Gerdau Açominas, elevou em 4 milhões de toneladas a capacidade instalada de produção, para 41 milhões de toneladas.

Ele lembrou que a produção siderúrgica caminha cada vez mais para os países emergentes, devido à disponibilidade de recursos naturais, e que por isso projetos como da ThyssenKrupp, no Rio de Janeiro; da Arcelor Mittal, no Espírito Santo; e da Dongkuk e Danieli, no Ceará, todos em parceria com a Vale, podem abrir caminho para outras novas plantas no país.

Segundo Soares, o Brasil acompanha o movimento mundial de crescimento da produção siderúrgica, apesar de o consumo ainda estar bem distante das taxas de países industrializados.

“O consumo por habitante no Brasil ainda é baixo, apenas 117 quilos per capita, países industrializados consomem de 400 a 500 quilos per capita, como Estados Unidos e Japão”, exemplificou. A China, fenômeno no setor siderúrgico nos últimos anos, consumiu este ano 270 quilos per capita de aço, informou.

A melhora da economia brasileira, no entanto, está aos poucos mudando o perfil das vendas no setor. Em 2007, as empresas tiveram que reduzir exportações para conseguir atender a demanda do mercado interno, considerado prioridade pelas siderúrgicas, por aumentar a margem de ganho nas vendas.

“Só não podemos sair totalmente do mercado externo, se não a gente perde espaço”, explicou Soares.

Na Usiminas, que abastece metade do mercado de aços planos no país, voltado para a indústria automobilística, entre outras, os 20 por cento enviados anualmente ao mercado externo foram reduzidos para 17 por cento, informou.

Para o próximo ano, o sistema Usiminas programa a parada do alto-forno da Cosipa por três meses.

Edição de Roberto Samora

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