Mendes critica excessos da PF; Tarso rebate e defende nova lei

segunda-feira, 4 de agosto de 2008 17:27 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em debate nesta segunda-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, voltou a criticar o que considera excessos da Polícia Federal em suas operações, enquanto o ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu a ação da PF mas afirmou que é preciso alterar a legislação que trata de abusos de autoridade.

Foram mencionados o uso indiscriminado de algemas, escutas telefônicas excessivas e vazamentos de informações.

"Combate à criminalidade sim, mas com respeito aos diretos fundamentais. Temos que buscar coibir abusos", disse Mendes durante seminário realizado pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Ele usou de uma citação para expressar indiretamente sua crítica. "Alguém bate à porta de nossa casa às 6h e a gente sempre sabe que é o leiteiro e não a polícia. Hoje, no entanto, nós andamos um pouco confusos."

Durante a Operação Satiagraha, de combate a crimes financeiros, o ex-prefeito Celso Pitta foi flagrado por uma emissora de televisão sendo preso pela Polícia Federal logo no início do dia. Na mesma operação, ocorrida no início de julho e que levantou o debate sobre possíveis excessos da PF, foram detidos também o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Najas, entre outros envolvidos no caso. Os três foram soltos por decisão do STF.

"Prisão com algemas só se justifica para fazer imagem e expor a pessoa no Jornal Nacional", disse Mendes.

Ao defender as ações da PF, Tarso lembrou que a escuta telefônica e as prisões são realizadas com autorização judicial.

"A Polícia Federal não é instituição soberana, senão teríamos um Estado policial", disse Tarso, remetendo-se a acusações feitas nos últimos meses pelo presidente do STF.

O ministro também rebateu comentário do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, para quem há um Estado de medo no país. "Acho exagero que estejamos em um Estado de medo", declarou Tarso.   Continuação...