Pessimismo com EUA cresce e Bovespa recua 1,3%

terça-feira, 4 de março de 2008 19:14 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O pessimismo persistente dos mercados internacionais com os desdobramentos da crise no mercado de hipoteca de alto risco nos Estados Unidos conseguiu furar a resistência da Bolsa de Valores de São Paulo.

Depois de chegar a esboçar a mesma imunidade da segunda-feira, quando subiu na contramão dos mercados internacionais, o Ibovespa logo reverteu para o vermelho. No final, apontou queda de 1,29 por cento, aos 63.655 pontos. O movimento financeiro foi de 6,65 bilhões de reais.

Os mercados já abriram chamuscados por uma série de notícias corporativas pessimistas, como o aviso de queda nos lucros na Intel e o anúncio da agência de investimento Dubai International de que será preciso "muito mais dinheiro" para resgatar o Citigroup das bilionárias baixas contábeis relacionadas à crise de hipotecas de risco.

Logo em seguida, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, fez um alerta de que as inadimplências e as execuções hipotecárias devem aumentar e que se deve esperar mais quedas nos preços das moradias.

"O mercado doméstico tentou se descolar. Mas chega uma hora que não dá mais", afirmou Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa da corretora Planner.

No final, os mercados norte-americanos chegaram a reduzir as perdas, amparadas em rumores sobre um iminente pacote de socorro à seguradora de bônus Ambac,também seriamente atingida pelas perdas com o mercado de subprime nos Estados Unidos. Ainda assim, o índice industrial Dow Jones encerrou em queda de 0,37 por cento.

Em contrapartida, a bolsa paulista enfrentou pressão adicional, devido às fortes perdas das ações da Gerdau e da Petrobras. Os papéis preferenciais da siderúrgica desabaram 6,9 por cento, a 52,40 reais, depois de o grupo anunciar que pretende fazer uma oferta pública de venda de ações de até 4 bilhões de reais.

Já as ações preferenciais da Petrobras caíram 2,78 por cento, a 78,65 reais, no dia seguinte à divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2007 da companhia, que vieram um pouco abaixo das previsões de analistas.