PERFIL-Aliado de Lula, Renan Calheiros apoiou Collor e FHC

terça-feira, 4 de dezembro de 2007 21:08 BRST
 

Por Maurício Savarese

SÃO PAULO (Reuters) - Político controverso, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que renunciou à presidência do Senado mas manteve o mandato nesta terça-feira, foi aliado de todos os recentes governos da República, de Fernando Collor de Mello a Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo Fernando Henrique Cardoso.

Calheiros, de 52 anos, escreveu com sua renúncia nesta terça-feira o provável capítulo final de uma trama de denúncias que se arrasta há quase sete meses, com acusações de corrupção e controle de meios de comunicação, o que é proibido para parlamentares.

Próximo ao poder, Renan também sabe a hora de sair de cena, segundo interlocutores. Com cinco representações contra ele no Conselho de Ética do Senado, duas já votadas em plenário e uma descartada antes disso, Renan disse no discurso de renúncia não ter mais clima para presidir a Casa após quase 60 dias de licença.

Ex-lateral-direito do Guarani de Maceió, Renan se elegeu deputado estadual em Alagoas em 1978, pela ala do MDB mais à esquerda, aliada do PCdoB --em meio a alguns dos mais duros combatentes contra o regime militar (1964-1985).

Onze anos mais tarde, após breve passagem pelo PSDB, apoiou, na disputa pelo Palácio do Planalto, a candidatura de Fernando Collor de Mello, ex-prefeito biônico de Maceió, governador eleito de Alagoas e filho de uma família tradicional de seu Estado. Também esteve ao lado dos governos de Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

CARREIRA

O primeiro mandato de deputado federal veio em 1982 pelo PMDB. Na sequência, Renan participou da reabertura democrática ao votar em Tancredo Neves para presidente da República no Colégio Eleitoral. Já como importante líder peemedebista em Alagoas, reelegeu-se em 1986.

Renan foi um dos tucanos de primeira hora, ingressando na legenda em sua fundação em 1988. Um ano depois, transferiu-se para o PRN de Collor, com quem rompeu politicamente em 1990, após culpar o então presidente da República pela derrota para Geraldo Bulhões na disputa pelo governo de Alagoas. Incentivado pelo ex-governador paulista Orestes Quércia, rumou ao PMDB e se aproximou de Itamar Franco, que assumiu a Presidência em 1992 com o processo de impeachment de Collor. Ganhou uma vice-presidência da estatal Petroquisa até se eleger senador pela primeira vez, em 1994.   Continuação...