Governo isenta mercado interbancário de câmbio do IOF

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 17:37 BRST
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O governo decidiu excluir da incidência do IOF as operações interbancárias de câmbio, informou o Ministério da Fazenda nesta sexta-feira.

O mercado praticamente travou nesta sessão, enquanto bancos e corretoras digeriam a cobrança do IOF e faziam contas sobre seu impacto nos negócios.

"O decreto... será corrigido para excluir da incidência do IOF as operações interbancárias de câmbio. Ou seja, essas operações sujeitam-se à alíquota zero", informou a Fazenda em nota. "A medida alcançará as operações contratadas a partir do dia 3 de janeiro de 2008."

Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, mostrou alívio com a decisão do governo.

"O mercado estava em pé de guerra. Eu estava apavorado, passei o dia fazendo conta", afirmou Knauer. "O mercado parou. Você imagina que para cada 1 milhão de dólares que você fazia no interbancário, você pagava 38 mil para o governo. O mercado interbancário de câmbio ia parar, o custo ia aumentar barbaramente no mercado primário. Quem ia pagar essa conta ia ser o exportador."

O governo anunciou na quarta-feira elevação do IOF e a incidência do tributo sobre operações até então isentas para compensar perdas com o fim da CPMF.

Em entrevista coletiva nesta manhã, a Receita Federal havia informado que, no caso das operações cambiais, só permaneceriam isentas do IOF as contratações feitas por investidor estrangeiro para aplicações nos mercados financeiros e de capitais e as vinculadas a importações de bens.

Nesta sexta-feira, o volume do mercado interbancário de câmbio, segundo um operador, somou apenas 184 milhões de dólares, comparado aos mais de 3 bilhões de dólares da véspera.

(Reportagem adicional de Silvio Cascione, em São Paulo; edição de Daniela Machado e Alexandre Caverni)