Ministros se reúnem em Paris para tentar manter Rodada Doha

quinta-feira, 5 de junho de 2008 09:33 BRT
 

Por William Schomberg

PARIS (Reuters) - Potências comerciais se reúnem na quinta-feira em Paris para tentar manter as chances de sucesso da chamada Rodada Doha das negociações comerciais globais, o que segundo elas, ajudaria a conter as atuais crises alimentar e econômica globais.

O encontro envolve ministros de Estados Unidos, União Européia, Índia, Brasil, Japão e outros países da Organização Mundial do Comércio.

Analistas dizem que a Rodada Doha ficará politicamente inviável se não for resolvida nas próximas semanas, devido aos calendários eleitorais dos EUA, da Índia e da posse de uma nova direção da União Européia.

Temos de resolver essas negociações, resolver as cifras e garantir que estamos trabalhando para que ocorra uma (reunião) ministerial nas próximas semanas", disse à Reuters o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, ao chegar para a reunião.

A Rodada Doha foi lançada há sete anos, com o objetivo de reduzir barreiras comerciais no mundo. Mas há fortes diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, especialmente a respeito de tarifas e subsídios agrícolas.

Na segunda-feira, um mediador desistiu das propostas que tentavam conciliar as posições divergentes a respeito do comércio de bens industriais, outro ponto importante da Rodada Doha.

Defensores do acordo dizem que concluí-lo é mais importante do que nunca, pois a liberalização comercial poderia contrabalançar a alta mundial de preços alimentícios, que ameaça aumentar o número de famintos do planeta para quase 1 bilhão de pessoas.

"Ao cortar tarifas de importação agrícola e disciplinar a forma como os países ricos usam subsídios, as nações em desenvolvimento serão incentivadas a produzir bens agrícolas e competir em termos mais justos", disse a negociadora comercial mexicana, Beatriz Leycegui Gardoqui.

Em 2007, houve protestos no México devido à alta da "tortilla." Atualmente, a inflação no país é a maior dos últimos três anos.