Noruega quer ser principal parceira do Brasil em óleo e gás

sexta-feira, 5 de setembro de 2008 18:10 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 5 de setembro (Reuters) - Depois de ter seu modelo para o setor de petróleo apontado como um possível exemplo a ser seguido pelo Brasil, a Noruega está investindo para se tornar a principal parceira do país no setor.

Além de trazer para a 26a edição da Rio Oil & Gas mais de 50 empresas, pela primeira vez na história da feira o primeiro ministro da Noruega, Jean Stoltenberg, estará presente na abertura do evento.

"Apostando na ampliação da liberalização do setor para que novos participantes internacionais possam operar, a Noruega veio se preparando para ser importante player no segmento offshore", afirmou em um comunicado a assessoria das empresas norueguesas que estarão na feira.

A Rio Oil & Gas é o principal evento no setor do Brasil e vai reunir a nata da indústria petrolífera de 15 a 18 de setembro no Riocentro, zona oeste do Rio de janeiro. A feira, bianual, receberá 19 países nessa versão.

O evento acontece em meio a discussões sobre uma possível mudança no modelo de concessão de áreas de petróleo e gás no Brasil. O modelo norueguês, fortemente estatal, está sendo apontado como um dos preferidos do governo brasileiro por contar com uma empresa 100 por cento estatal --no caso norueguês, a Petoro-- para gerir o petróleo e gás natural que serão extraídos do pré-sal, uma nova fronteira petrolífera que pode colocar o Brasil entre os maiores produtores do mundo.

No sistema norueguês não há leilão e o governo escolhe as empresas privadas que vão explorar os campos, em parceria com as estatais, ao contrário do governo brasileiro que realiza leilões para vender as concessões das áreas.

Duas empresas norueguesas já operam no país, a estatal StatoilHydro, cujo principal campo é o Peregrino, na bacia de Campos, que só deve começar a produzir no fim de 2010, e a Norse Energy. Ambas estão no país desde a abertura do mercado petrolífero, em 1997, após mais de 40 anos de monopólio da Petrobras.

Nos últimos 10 anos, a Noruega investiu cerca de 5,4 bilhões de dólares no Brasil, com expectativas de outros 1,8 bilhão de dólares nos próximos cinco anos. Atualmente, mais de 60 empresas norueguesas têm subsidiárias estabelecidas no país.

Empresas norueguesas como Seadrill, Sevan Marin, BW Offshore, Petrojarl e Golar firmaram contratos no total de 8,9 bilhões de dólares com empresas brasileiras, principalmente com a Petrobras (PETR4.SA: Cotações).

(Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira)