ESPECIAL-Indústria brasileira de remédios busca América Latina

segunda-feira, 5 de novembro de 2007 17:28 BRST
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O primeiro passo é contratar representantes comerciais nos maiores mercados latino-americanos, mas os fabricantes brasileiros de medicamentos têm ambições maiores: planejam também pesquisar e produzir nesses países e até adquirir pequenos laboratórios no Sul da Europa.

O Cristália, que atua nos segmentos farmacêutico (medicamentos) e farmoquímico (matéria-prima), está iniciando a investida externa na Argentina com um escritório para comercialização de cerca de oito produtos considerados "consistentes" entre os 250 de toda a sua linha. Em outros países da região, ele tem a Organon como distribuidora.

A segunda etapa na Argentina é a formalização de um acordo com um laboratório do país vizinho para produção cruzada. "Existem negociações em andamento que podem redundar em cooperação nas duas mãos. Algumas coisas que vamos produzir para um laboratório de lá e eles, para nós", disse o presidente do Conselho de Administração do Cristália, Ogari Pacheco, à Reuters.

A fase seguinte será o investimento em um laboratório de capital argentino e bem posicionado, segundo Pacheco, apoiando a expansão de uma fábrica já existente. Ele se recusou a antecipar nomes. "Estamos procurando complementaridade em anestesia e anti-retrovirais, também em produtos de fins estéticos", afirmou.

Tacada semelhante fez o laboratório Aché, que fechou este ano parceria com a farmacêutica mexicana Silanes. Eles já fizeram troca de produtos --um cardiológico da brasileira e um de diabetes da parceira-- mas a aposta mesmo é em desenvolver pesquisa conjunta.

"A consolidação da indústria é justamente para fortalecer capacidade de pesquisa. Existe a possibilidade de ser mais agressivo internacionalmente, mas não montar um laboratório do zero", comentou nesta segunda-feira o principal executivo do Aché, José Ricardo Mendes da Silva.

Ele defende que a internacionalização das empresas brasileiras se dê a partir de parcerias, do aprendizado da cultura local. Mas isso não limita as ambições, que incluem aquisições de pequenos laboratórios europeus.

"Temos analisado pequenas operações no mercado europeu, no Sul da Europa", afirmou à Reuters. "Operações de menor porte em Portugal, Espanha, Itália, principalmente para parceria neste momento", disse.   Continuação...