Conflito em Salvador ameaça aliança PT-PMDB para 2010 na Bahia

sexta-feira, 5 de setembro de 2008 20:16 BRT
 

Por Augusto Cesar Barrocas

SALVADOR (Reuters) - A aliança política PT-PMDB, que elegeu o petista Jaques Wagner governador da Bahia em 2006 e levou o peemedebista e então deputado federal Geddel Vieira Lima ao Ministério da Integração Nacional, corre o risco de não sobreviver à eleição municipal do próximo dia 5 de outubro.

Os dois partidos, que vêm se estranhando há cerca de um ano por conta da disputa pela prefeitura de Salvador, chegaram agora ao radicalismo, com seus respectivos candidatos e dirigentes regionais trocando acusações publicamente.

Políticos mais experientes temem que a aliança não chegue à segunda etapa da campanha, como previsto originalmente, e muito menos a 2010. Um deles, que prefere manter-se no anonimato, avalia: "Desse jeito, só Deus sabe o que acontecerá no segundo turno".

Nos bastidores da política baiana comenta-se que pelo acordo inicial entre as duas legendas, o PT apoiaria a candidatura de Geddel ao governo do Estado em 2010 e, em troca, o PMDB apoiaria Wagner como candidato à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República.

Num cenário mais modesto, em que Wagner tenha que se contentar com a reeleição ao governo da Bahia, Geddel seria o nome para o Senado.

ATAQUE OSTENSIVO

Candidato à reeleição pelo PMDB e terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, o atual prefeito João Henrique passou a utilizar o horário eleitoral gratuito para atacar de forma ostensiva o candidato petista Walter Pinheiro (quarto colocado), a quem acusa de "trair Salvador e o presidente Lula, de não ser digno do governador Wagner e de mentir com interesses eleitoreiros".

Exibindo fac-símile de jornais da época, a propaganda peemedebista resgata divergências entre Pinheiro e o Palácio do Planalto na votação da reforma administrativa, no primeiro governo Lula, quando o petista se recusou a votar conforme a orientação de seu partido.   Continuação...