5 de Outubro de 2008 / às 17:52 / em 9 anos

Paes quer "pé-quente" de Cabral e espera adversário do 2o turno

Por Renato Andrade

RIO DE JANEIRO, 5 de outubro (Reuters) - Líder nas pesquisas de intenção de voto, o candidato Eduardo Paes (PMDB) quer iniciar o segundo turno à prefeitura do Rio contando com o "pé-quente" do governador e cabo eleitoral Sérgio Cabral. Mesmo sem definição sobre quem enfrentará na rodada final da disputa --Fernando Gabeira (PV) ou Marcelo Crivella (PRB)--, Paes quer começar a planejar sua campanha já na noite deste domingo.

O peemedebista votou no início da manhã no aristocrático Gávea Golf Club, em São Conrado, e evitou falar sobre quem espera enfrentar no segundo turno. Ele afirmou, no entanto que as alianças para a disputa final serão discutidas a partir da noite deste domingo.

As últimas pesquisas de intenção de voto mostram um empate técnico entre Gabeira e Crivella na disputa pela segunda vaga. Ambos tentaram demonstrar confiança na passagem para a etapa final da corrida à prefeitura da capital fluminense.

"Acho que hoje nós viramos", disse Gabeira, logo após votar. "Acho que temos um chance real de chegar ao segundo turno, confio muito nos meus eleitores porque são combativos, têm bons argumentos e são respeitosos", acrescentou.

O candidato do PV cresceu nas pesquisas nos últimos dias e emparelhou com Crivella. Pelo levantamento do Datafolha, divulgado no sábado, Gabeira superou numericamente Crivella, assumindo a segunda posição na disputa pela prefeitura do Rio.

Crivella minimizou a queda nas pesquisas de opinião e o empate técnico com o adversário do PV. "As pesquisas são uma fotografia cada vez mais distante da realidade das urnas", disse o senador, que no início da campanha eleitoral, quando liderava as intenções de voto, costumava citar a importância e o valor das pesquisas.

ESTRATÉGIAS

Classificando como "pé quente" o governador do Rio, Eduardo Paes disse que espera a participação de Sérgio Cabral (PMDB) em sua campanha já a partir da noite deste domingo.

Sobre o possível apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o peemedebista foi reticente e disse apenas que sua candidatura é uma possibilidade de harmonia entre os governos municipal, estadual e federal --apesar de já ter atuado como ferrenho opositor do governo Lula como deputado federal pelo PSDB.

"Estamos, ao longo desse período, fazendo uma campanha propositiva para discutir os problemas da cidade... acho que a população entendeu nossa mensagem, que essa candidatura é uma coisa que não acontece há muito tempo no Rio, que é a possibilidade de união de prefeitura, governo do Estado e governo federal", afirmou Paes.

Gabeira também disse que já tem sua estratégia de alianças para o segundo turno, mas não revelou detalhes. "O mecanismo de convergência ideológica pode existir, mas os eleitores são muito pragmáticos... A ideologia entrou em declínio nos últimos anos. Em uma metrópole decadente como a nossa precismos de outras variáveis", afirmou.

Crivella, por sua vez, disse que pretende unir forças para derrubar o "candidato da máquina pública", uma alusão à aliança entre Paes e o governador Sérgio Cabral.

"Vamos unir as forças democráticas e os partidos populares para vencer o candidato da máquina pública", disse o senador.

"Essas forças vão se unir para não deixar prevalecer o poder econômico. O segundo turno é uma outra eleição", acrescentou Crivella.

A candidata do PCdoB, Jandira Feghali, atacou as pesquisas que apontam que ela estará fora da disputa no segundo turno. A candidata aparece tanto no Ibope, quanto no Datafolha em quarto lugar nas intenções de voto.

"Essa guerra foi desde o início. Mais do que as pesquisas foram as manchetes. Na verdade tentam excluir a gente do páreo, mas isso não é real", disse a candidata.

Faltando pouco menos de três meses para deixar o comando da capital fluminense, o prefeito César Maia (DEM) deixou claro que já mira sua possível candidatura ao governo do Estado em 2010.

Ao acompanhar a votação da candidata democrata à prefeitura carioca, Solange Amaral, Maia classificou como medíocre os primeiros dois anos de Cabral à frente do Estado, e acrescentou que, se o governador continuar com problemas, sua candidatura em 2010 será inevitável.

"Torço para que o governo do Estado dê certo mas, se não der, serei compulsoriamente levado ao governo do Estado (em 2010)", disse Maia a jornalistas.

Texto de Renato Andrade com reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Carla Marques; Edição de Eduardo Simões

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